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Negra, estrangeira e livre, Meghan Markle é o que a realeza britânica precisava para 2017

O casamento do príncipe Harry, da Inglaterra, com uma atriz divorciada rompe barreiras na rígida família real britânica

Meghan Markle e príncipe Harry
O príncipe Henry, da Inglaterra, e Meghan Markle. AFP

A Lady Di estaria orgulhosa da decisão tomada pelo seu filho caçula, Harry, que anunciou nesta segunda-feira que irá se casar com Meghan Markle, uma atriz de 36 anos, divorciada e negra. Uma mulher que não corresponde ao perfil que se supunha tempos atrás que deveria ser o de uma pretendente de um príncipe pertencente a uma das grandes monarquias do mundo, a britânica. Mas Harry pertence à geração de nobres do século XXI, para a qual dever e amor são coisas compatíveis.

Para que Harry venha um dia a ser rei teria de ocorrer uma verdadeira hecatombe. À sua frente na linha sucessória estão, além de seu pai, que aos 67 anos ainda está na fila de espera, seu irmão William e os filhos deste – dois já nascidos e um terceiro que deve chegar no primeiro semestre do ano que vem. Apesar disso, até poucos anos atrás era impensável que um príncipe da Inglaterra pudesse se casar com uma mulher como Meghan Markle. Basta lembrar o caso de Margareth, irmã da atual rainha, que teve de renunciar ao seu amor por Peter Townsend porque ele era divorciado.

A entrada de Diana de Gales na família real britânica e sua morte, há 20 anos, abalaram as estruturas da instituição, e todos, a começar por Elizabeth II, se deram conta de que, para sobreviver, a monarquia tinha de evoluir. E é nessa situação, à procura de uma razão para continuar existindo, que se encontram os reis do século XXI. Na Noruega, Dinamarca, Suécia e Espanha, os herdeiros não se casaram com nobres. Assim como a rainha da Holanda. Todas eram mulheres trabalhadoras que chegaram aos palácios por amor.

Da esquerda para a direita: as rainhas Letícia (Espanha), Máxima (Holanda) e Mary (Dinamarca). ampliar foto
Da esquerda para a direita: as rainhas Letícia (Espanha), Máxima (Holanda) e Mary (Dinamarca).

Elizabeth II confia em seus netos – diz-se que até mais do que no seu filho e herdeiro – e vem lhes cedendo espaço como protagonistas agora que sua idade a aconselha que leve as coisas com mais calma.

William se casou, em 2011, com Kate Middleton, uma mulher de uma família de classe média alta, mas sem parentesco monárquico. Na visão dos britânicos, a duquesa de Cambridge cumpre o seu papel à perfeição. Segundo as pesquisas, ela é um dos membros mais bem avaliados da família real.

Na esteira de Kate surge, então, Meghan Markle. Harry teve sua atenção atraída para ela ao assistir à série Suits, estrelada por Markle, conseguindo conhece-la por intermédio de um amigo. Segundo contou a atriz, foi amor à primeira vista. Depois de algum tempo levando um namoro bastante discreto, a relação que ambos vinha levando com o maior sigilo possível veio à luz. Há já 10 meses que o palácio vem pedindo respeito para com Meghan Markle, acossada pelos paparazzi. Harry decidiu acelerar as coisas nos últimos meses, depois de obter o apoio do irmão. A rainha Elizabeth deu o sinal verde oficial para a relação há pouco mais de um mês, mas sabia de sua existência desde o começo.

Meghan Markle e o príncipe Henry, da Inglaterra, em setembro passado em Toronto.
Meghan Markle e o príncipe Henry, da Inglaterra, em setembro passado em Toronto. AP

Com o passar do tempo, Elizabeth II foi aprendendo que dever a amor são compatíveis, que não é preciso ser uma princesa para se casar com um príncipe. Se tivesse admitido essa premissa antes, sua irmã Margareth teria sido mais feliz e seu filho Charles não teria tido de se casar com Diana e manter Camila escondida.

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