Independência da Catalunha

Documento mostra estratégia do Governo catalão: “Gerar conflito e separação forçada”

Relatório achado na residência de um funcionário da Catalunha revela passos futuros do independentismo

Polícia nacional apreende urnas durante referendo
Polícia nacional apreende urnas durante referendoJaume Sellart (EFE)

O EL PAÍS teve acesso ao documento apreendido pela Guarda Civil. Não possui data e estabelece um rumo desde as eleições de 2015 até agora, segundo a coalizão independentista Juntos pelo Sim, que deu novo impulso ao conflito separatista. Nesse caminho, seus integrantes já se arriscavam a tudo o que se transformou em manchete nos últimos dias: a reação do Governo central, a atuação da Justiça, a resposta da Polícia e a asfixia econômica. Para isso, planejaram ações que levassem “a um conflito democrático com amplo apoio da população, a fim de gerar uma instabilidade política e econômica que obrigue o Estado a aceitar a negociação da separação ou um referendo forçado”. “Os chefes políticos e policiais dos Mossos (polícia regional) estão totalmente envolvidos nesse processo separatista”, afirma, de maneira contundente, o relatório confiscado e entregue ao juiz.

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A Declaração Unilateral de Independência, que a Catalunha supostamente anunciará nos próximos dias, segundo os independentistas, será só o começo de um conflito para a separação definitiva, pois “o Estado espanhol não reconhecerá o direito de realizar um referendo, mas, se perceber que está tudo perdido, fará com que [o referendo] seja convocado para que nós sejamos derrotados.”

A determinação de não evitar o conflito fica patente em outro trecho do relatório, em que é dito textualmente: “No momento em que houver uma clara determinação da população de apoiar e se envolver ativamente, com a cumplicidade internacional, [o conflito] deve ser iniciado de maneira conservadora, aumentando-se paulatinamente o seu nível segundo a resposta do Estado, sob a liderança e com a coordenação de todos os atores envolvidos e sem nenhum tipo de dúvida quanto a ações e calendários.”

O plano dos independentistas estabelece três objetivos importantes para chegar à meta final: conseguir maiorias, inspirar confiança e trabalhar com garantias. “Cumprir os três objetivos é o mínimo imprescindível para agir com garantia de sucesso”, afirma o autor. E enfatiza especialmente a credibilidade internacional, já que “fazer uma declaração de independência precipitada, sem ter trabalhado profundamente esses valores, a tornaria pouco atrativa aos olhos da comunidade internacional (estratégia vista internacionalmente como escrupulosamente democrática e que pode ser confiável”).

Sobre o discurso mais adequado para alcançar os objetivos, os redatores aconselham fortalecê-lo “com base em argumentos racionais e emocionais de um Estado próprio, mais do que nos ressentimentos da Espanha e com uma estratégia de comunicação compartilhada por todos os atores soberanistas”.