Argentina

Violência contra judeus cresce na Argentina

Relatório de associações israelitas do país registra crescimento da simbologia nazista e das agressões

Em 27 de abril, Buenos Aires comemora o Dia do Holocausto
Em 27 de abril, Buenos Aires comemora o Dia do Holocausto (Telam)

O antissemitismo está crescendo na Argentina. De acordo com o último relatório da Delegação das Associações Israelitas Argentinas (DAIA), durante o ano de 2016 foram registradas 351 denúncias de discriminação contra a comunidade judaica. Existe um auge no nazismo no mundo, evidenciado nos resultados das eleições do fim de semana passado na Alemanha, quando 90 deputados da ultradireita chegaram ao parlamento. Na Argentina, a escala é diferente, mas a semente está plantada. Nas eleições legislativas deste ano, o autoproclamado partido neonazista Bandera Vecinal reapareceu e obteve cerca de 30.000 votos nas primárias de agosto.

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A DAIA identificou dez categorias principais de expressões antissemitas, entre as quais destacou as expressões xenófobas tradicionais; o antissemitismo religioso/teológico; os apelos à avareza ou à exploração e a simbologia nazista. O relatório, apresentado na quinta-feira, aponta que 90% das denúncias foram feitas na cidade de Buenos Aires. Outubro, mês de celebrações judaicas, concentra 22% do total das queixas anuais. A Internet é a plataforma com maior antissemitismo, com 64% dos fatos denunciados.

“Durante o ano de 2016, foram registradas 351 denúncias por fatos antissemitas na DAIA, uma redução diante dos 478 de 2015, ano marcado por vários fatos que mantiveram a comunidade judaica no centro da agenda política e midiática. Não obstante a diminuição das denúncias, o ano em análise caracterizou-se por um aprofundamento da violência em relação às características dos fatos declarados”, diz o documento.

A simbologia nazista está no topo da tipologia discursiva analisada, com 32% dos casos. Em junho deste ano, a polícia encontrou 75 símbolos nazistas que teriam entrado no país com chefes das SS que se refugiaram na Argentina depois da Segunda Guerra Mundial. “Havia a lupa original usada por Hitler”, disse na ocasião Néstor Roncaglia, chefe da Polícia Federal.

A Argentina possui a terceira maior comunidade judaica do mundo, mas também é o país que abrigou centenas de nazistas. Em 10 de abril de 1938 aconteceu no estádio Luna Park, em Buenos Aires, o maior ato nazista realizado fora da Europa. Naquela noite, 15.000 pessoas comemoraram a anexação da Áustria à Alemanha nazista.

“Nosso país não é antissemita, mas infelizmente continuam ocorrendo fatos que afrontam nossa comunidade e toda a sociedade argentina. Nossa missão institucional é denunciá-los com firmeza nos espaços adequados”, disse o presidente da DAIA, Ariel Cohen Sabban, na apresentação do relatório no antigo centro de detenção ilegal da ESMA (Escola Superior de Mecânica da Armada).

“Não pode nem deve haver tolerância alguma em relação àqueles que incitam ao ódio, desprezam a democracia, os valores que compartilhamos, a liberdade e a diversidade. A sociedade em seu conjunto e, acima de tudo, as lideranças políticas e sociais devem permanecer alerta diante do risco que significam os disseminadores do ódio e da discriminação”, acrescentou.

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