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Reino Unido eleva ao máximo nível de alerta ante temor de um atentado terrorista

May afirma que artefato pretendia causar “danos significativos”. Vinte e duas pessoas foram atendidas

Explosão en Londres
A suposta origem da explosão: um cubo branco dentro de uma sacola de plástico.

A polícia de Londres deflagrou uma ampla operação de busca do responsável (ou responsáveis) pelo atentado “terrorista” ocorrido no metrô da capital britânica: a explosão de um artefato caseiro num trem que viajava no horário pico pela linha District Line (verde) nos arredores da estação Parsons Green, sudoeste da cidade. O Serviço Nacional de Saúde (NHS) informou que 22 pessoas foram atendidas nos hospitais. Nenhuma corre risco de vida. A maioria dos feridos, segundo a polícia, sofreu queimaduras por causa da “bola de fogo” que foi produzida e que foi descrita assim pelas testemunhas. Os demais têm cortes ou hematomas que sofreram tentando sair do lugar O ataque foi assumido pelo Estado Islâmico através da agência de notícias Amaq, vinculada ao grupo

Este é o quinto atentado perpetrado no Reino Unido este ano, o primeiro sem vítimas fatais. Numa breve declaração na sede da Scotland Yard no início da tarde, o comissário assistente da Polícia Metropolitana, Mark Rowley, informou que o fogo foi provocado por um “artefato explosivo improvisado” (IED, na sigla em inglês). A primeira-ministra, Theresa May, afirmou à imprensa que o objetivo do artefato era “provocar danos significativos”.

Rowley afirmou que mobilizou “centenas de agentes” para investigar o incidente e tentar encontrar a pessoa que colocou o artefato. As autoridades analisam as imagens das câmeras de segurança para tentar determinar quem levou a bomba caseira até o metrô, e por onde entrou e saiu. A investigação, liderada pelo Comando Antiterrorista da Polícia, conta com a colaboração do Serviço de Inteligência Interior (MI5).

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tuítou: “Outro atentado em Londres [perpetrado] por outro terrorista perdedor. Essas pessoas doentes e dementes estavam na mira da Scotland Yard. É preciso ser proativo!” Questionada pelos jornalistas a respeito desses e outros tuítes de Trump sobre o atentado, May respondeu: “Nunca considerei que fosse bom especular sobre uma investigação em andamento.”

Fontes policiais citadas pelos jornais britânicos afirmaram que o artefato explodiu parcialmente e, ao que parece, o detonador falhou. Se tivesse funcionado, poderia ter provocado numerosas vítimas, já que era horário pico num vagão de um trem com capacidade para 865 passageiros. O ataque ocorreu num setor externo do metrô da linha District, e a estação afetada se encontra na zona de Fulham, muito movimentada nessas horas da manhã.

Após deixar claro que os londrinos notarão “um aumento considerável” da presença policial nas ruas, especialmente no transporte, o comissário pediu a colaboração de quem tiver informações ou imagens que possam ajudar os investigadores. “Pedimos às pessoas que estejam atentas, mas não alarmadas”, esclareceu. Por último, disse que a investigação continua, que todas as linhas estão abertas e que ninguém foi preso em conexão com o ataque.

Segundo os jornais britânicos, a explosão teve origem num cubo branco que estava dentro de uma sacola plástica de supermercado. Numa foto publicada nas redes sociais por um homem, que disse que ela foi feita por um colega de trabalho e que autorizou sua difusão pelo EL PAÍS, pode-se ver a sacola de plástico pegando fogo. Seu conteúdo pode ter provocado a explosão e as labaredas. Outra usuária das redes sociais publicou um vídeo em que é possível ver a mesma sacola em chamas enquanto as portas do metrô são fechadas.

A primeira-ministra encabeçará nesta tarde de 15 de setembro uma reunião do comitê de emergência Cobra para falar do atentado, ocorrido em um metrô que se dirigia ao centro, informou a residência oficial de Downing Street. May expressou sua solidariedade aos feridos. “Nossa cidade condena totalmente os horríveis indivíduos que tentam usar o terror para nos atacar e destruir nosso modo de vida. Como Londres demonstrou mais de uma vez, nunca seremos intimidados ou derrotados pelo terrorismo”, declarou o prefeito de Londres, Sadiq Khan, em nota.

Um dos primeiros líderes mundiais a reagir foi Trump, que voltou a utilizar um atentado para justificar seu decreto migratório. “Outro atentado em Londres [perpetrado] por outro terrorista perdedor. Essas pessoas doentes e dementes estavam na mira da Scotland Yard – a polícia britânica não disse nada sobre o suposto autor ou autores, nem se foram identificados”, disse Trump no Twitter, acrescentando que “a proibição de viajar aos Estados Unidos deveria ser mais ampla, mais dura e mais específica, mas, estupidamente, isso não seria politicamente correto.”

Tudo começou quando policiais e funcionários dos serviços de emergência foram ao lugar, respondendo ao que, inicialmente, foi qualificado de “incidente”, enquanto vários meios de comunicação britânicos falavam de “uma explosão”. No primeiro momento, a Polícia Metropolitana de Londres afirmou: “Estamos a par de um incidente na estação de metrô Parsons Green. A estação está fechada”. “Fomos avisados às 8h20 (7h20 GMT)”, disse, por sua vez, o serviço de ambulâncias em comunicado, para precisar que estavam ali cinco minutos depois. “Enviamos múltiplos recursos ao local”, acrescentava a nota.

“Contamos com uma grande quantidade de especialistas e recursos na estação devido ao incidente”, afirmou o Corpo de Bombeiros na mesma rede social. Por sua vez, a Transportes de Londres, que fechou parte da linha entre as estações de Wimbledon e Earls Court, informava em sua página: “Estamos investigando um incidente em Parsons Green. Esta notícia de última hora está sendo atualizada e publicaremos mais detalhes em breve.”

Horas depois, fontes de segurança citadas pela BBC adiantaram que tratavam o caso como atentado e, pouco depois, a própria Polícia Metropolitana informou no Twitter que seu comando antiterrorista se encarregou da investigação depois que o incidente tinha sido declarado “terrorista”. “Recebemos às 8h20 [hora local] informes sobre um incêndio no trem da estação Parsons Green”, detalhou a polícia no Twitter, destacando que “ainda é cedo para determinar a causa do fogo”.

Uma agente da polícia escolta uma ferida nos arredores da estação de metrô Parsons Green.
Uma agente da polícia escolta uma ferida nos arredores da estação de metrô Parsons Green. EFE

O serviço de ambulâncias de Londres infirmou que 18 pessoas foram levadas a diversos hospitais, ressaltando que nenhuma corre perigo e que não há feridos em estado grave. Pouco depois, um comunicado do NHS elevou a cifra para 22 e detalhou que, além dos 18 evacuados, quatro vítimas chegaram aos hospitais “caminhando por conta própria”.

Testemunhas citadas pela imprensa britânica relatam que houve vários feridos por queimaduras e que outros sofreram cortes e contusões tentando fugir da estação. O Governo espanhol, que condenou o ataque, declarou que não tem conhecimento, até agora, de que haja espanhóis entre os feridos.

O repórter do jornal Metro que estava no vagão no momento da explosão contou que viu várias pessoas feridas, uma delas uma mulher com queimaduras graves. Robyn Frost, uma passageira que também estava no trem da explosão, contou que “as pessoas corriam por uma estação coberta de sangue” e que “pessoas saíam correndo e gritando, tentando fugir”.

Richard Aylmer-Hall, de 53 anos, outro dos passageiros, estava sentado no metrô a caminho do centro de Londres quando começou a ver pânico ao seu redor. Aylmer-Hall afirmou que viu várias pessoas feridas tentando fugir e muitas foram pisoteadas enquanto tentavam escapar da estação. Uma mulher que estava em pé na plataforma enquanto os passageiros saíam do vagão afirmou que “do outro extremo do trem se via uma bola de fogo”.

Outro passageiro, identificado apenas como Lucas, disse à BBC que ouviu “uma explosão muito forte” e que viu uma sacola queimada mas, em princípio, não as relacionou. “Vi pessoas com lesões leves, queimaduras no rosto, braços, pernas, mas todos se ajudavam entre si”, acrescentou.

Chris Wildish, que estava no trem, disse que viu um “dispositivo” no último trem e que o identificou como “um cubo branco numa sacola branca de supermercado”. “As chamas ainda estavam saindo dele quando o vi e havia vários fios pendurados nele – só posso imaginar que isso foi feito de propósito”, disse.

A explosão acontece no momento em que o Reino Unido se encontra em alerta máximo depois dos quatro atentados deste ano, que provocaram 36 mortes. O nível de alerta terrorista continua sendo o segundo mais alto de uma escala de cinco.

O incidente levou muitos londrinos a recordar o 7 de julho de 2005, quando uma série de ataques terroristas suicidas jihadistas na rede de transportes de Londres causou 52 mortos e mais de 700 feridos.

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