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Todas as mentiras do presidente Trump

Republicano faltou com a verdade 99 vezes desde que assumiu o cargo, segundo revisão das declarações

Vista do National Mall na posse de Obama (esq.), em 2009, e de Trump (dir.), em 2017.
Vista do National Mall na posse de Obama (esq.), em 2009, e de Trump (dir.), em 2017.

Às vezes o ego o vence, em outras, a demagogia, e em muitas ocasiões é simples falta de respeito aos dados. Uma repassada nas intervenções de Donald Trump desde que entrou na Casa Branca em 20 de janeiro revela que em 99 ocasiões disse, tuitou ou proclamou falsidades. Dois de cada três dias. Um ritmo avassalador que só foi freado em sua viagem para fora do país ou em alguns fins de semana de descanso e buracos, no que em Washington já se denomina de efeito golfe.

A compilação de todas as suas mentiras, efetuada com paciência de amanuense pelo The New York Times, ilustra o turbilhão em que a presidência entrou. Trump submete as pessoas chegadas a ele (e seu país) a uma pressão constante e desenfreada. Solta a bomba e obriga seu gabinete a recompor os destroços. Fez isso já no primeiro dia como presidente, quando afirmou contra todas as evidências que não tinha chovido no dia da posse e depois se vangloriou de que se tratara da posse com maior público da história. Ante as imagens da posse de Barack Obama que desmentiam claramente a afirmação, seus assessores produziram a teoria dos “fatos alternativos”. Uma ginástica mental cuja única finalidade era não reconhecer o erro.

Essa é uma de suas características. Um total de 60% da população dos EUA considera que ele não é honesto. As falsidades se acumulam em dezenas, seus tuítes constituem uma cascata de tropeços única na história presidencial, mas nunca fez retificações. Negou-se a isso depois de acusar falsamente Obama de ter-lhe espionado e tampouco deu esse passo quando, para justificar sua redução de impostos dos mais ricos, argumentou que os EUA são o país com maiores tributos do mundo.

Mas nem tudo é rentabilidade política. Há mentiras que se limitam a mostrar seu enorme ego. Assim ocorreu quando se gabou de ter sido o homem que mais vezes saiu na capa da revista Time, com “14 ou 15 aparições”. A verdade é que ocupou esse espaço em 11 ocasiões, uma cifra muito inferior à de Richard Nixon: 55 vezes. Ainda lhe resta muito por fazer.

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