A visão do mundo sobre os Estados Unidos cai 15 pontos com Trump

Rússia e Israel são os únicos países que confiam mais no atual presidente dos EUA do que em seu antecessor, segundo um estudo do Pew Research Center

Em apenas oito meses de mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu provocar a rejeição a sua imagem e gestão no resto dos países. Mas não em todos. Rússia (como se a trama não existisse) e Israel são os únicos Estados que confiam mais no atual presidente norte-americano do que em seu antecessor, Barack Obama. O nível de confiança aumentou 42 pontos entre os russos e 7 pontos entre os israelenses. Também são os dois únicos países em que mais da metade dos cidadãos acredita que suas relações com os EUA vão melhorar com Trump à frente, segundo um estudo do Pew Research Center, que realiza pesquisas em 37 países.

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A percepção dos Estados Unidos no exterior piorou. Cerca de 49% dos pesquisados tinha uma opinião positiva do país hoje; em 2015, com Obama, eram 64%. Ao mesmo tempo, a opinião negativa aumentou de 26% para 39%. A visão positiva aumentou apenas na Rússia e no Vietnã.

A pesquisa do Pew, que entrevistou mais de 40.000 pessoas, revela que uma média de 22% dos pesquisados acredita que Trump fará o que é certo em termos de assuntos internacionais. Obama se despediu de seu mandato com uma média de 64% de confiança. Em alguns países europeus, a queda nesse âmbito é estrepitosa: na Alemanha caiu de 86% para 11%, na França, de 84% para 14%, no Reino Unido de 79% para 22% e na Espanha, de 75% para 7%. Essa avaliação é muito semelhante à obtida pelo ex-presidente norte-americano George W. Bush no fim de sua gestão em 2008.

Os níveis de confiança obtidos por Trump são influenciados por dois aspectos: suas decisões políticas e seu caráter. Apesar de a pesquisa do Pew Research Center ter sido realizada antes da saída dos EUA do Acordo sobre a Mudança Climática de Paris e quando o veto migratório parecia não ter saída, seu plano de construir um muro na fronteira com o México, a ideia de proibir a entrada nos EUA de cidadãos de certas nações de maioria muçulmana e a saída de acordos comerciais internacionais são rejeitados por uma média de 70% dos entrevistados.

Em relação ao caráter, os participantes do estudo definiram Trump como arrogante (75%), intolerante (65%) e perigoso (62%). A quarta característica é positiva: um líder forte (55%). Pelo menos a imagem desfavorável do presidente norte-americano não corresponde à imagem favorável que os estrangeiros têm dos americanos: 58% têm uma opinião positiva. Turquia, Jordânia e Líbano são os únicos países pesquisados em que a maioria dos cidadãos expressa uma opinião desfavorável.

México, o maior opositor

Na última década, os presidentes norte-americanos obtiveram críticas mistas ou negativas no México. Mas, com 5% de aceitação, Trump registra a qualificação de confiança mais baixa obtida por um líder norte-americano desde que o Pew Research Center realiza a pesquisa no país. A avaliação é a mais baixa entre os 37 países pesquisados.

A oposição à construção de um muro na fronteira entre EUA e México é — como era de se esperar — especialmente grande no país potencialmente marginalizado. Mais de nove em cada dez mexicanos (94) rechaça a ideia. Trump assegurou na semana passada que está avaliando a possibilidade de o muro ser revestido de painéis solares para que o México “pague muito menos”.

O outro vizinho, Canadá, também não está contente. Pela primeira vez desde que o Pew Research Center pergunta aos canadenses sua opinião sobre os EUA, a opinião fica abaixo de 50%. Apenas 43% dos canadenses têm uma opinião favorável.

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