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França procura um serial killer de gatos

Cidade de Saint-Pierre-la-Mer, um tranquilo vilarejo litorâneo, confirma a morte de até 200 felinos em um mês

Até 200 gatos foram assassinados em uma cidade do sudeste da França (imagem de arquivo)
Até 200 gatos foram assassinados em uma cidade do sudeste da França (imagem de arquivo) AFP

A imprensa francesa já fala em envenenamentos em massa, de um serial killer e até de uma hecatombe felina. Não se sabe quem é o responsável, mas se conhece bem o estarrecedor trabalho dessa sinistra mão – ou mãos: até 200 gatos apareceram mortos nas últimas semanas em Saint-Pierre-la-Mer, um tranquilo vilarejo litorâneo entre Perpignan e Montpellier, no sudeste da França, que costuma ser vendida como o lugar ideal para umas férias “em família” na praia. A não ser que se tenha um gatinho.

As vítimas são tanto gatos vira-latas como domesticados. Céline, uma moradora do local, perdeu seis animais na matança. “É uma catástrofe. Acabei de enterrar um hoje”, lamentava em declarações ao L’Indépendant. Bem na hora em que dava entrevista à repórter desse jornal regional, outro vizinho se aproximou com um gato agonizante nos braços. Não era o primeiro animal que ele encontrara. A misteriosa história se repete há pelo menos um mês. “Eles vomitam uma coisa azul, miam e morrem”, contou outra moradora que também viu seu gato morrer, em entrevista ao Dépêche du Midi. “Há uns idiotas que estão assassinando gatos e eu não posso aguentar mais”, reclamou Éliane, outra residente que diz que há semanas tem assistido a gatos “que vêm morrer no meu terraço”.

A associação local de proteção aos gatos vira-latas apresentou uma denúncia para que se faça uma autópsia dos animais mortos e se tente averiguar a origem desse suposto envenenamento em massa. Segundo as primeiras análises, no estômago das vítimas foram encontrados munição tipo chumbinho, maconha e refrigerante.

Michèle Grenier-Bolley, pesquisadora da Sociedade Protetora dos Animais, que também apresentou uma queixa por causa da situação em Saint-Pierre-la-Mer, acredita que “os gatos são alimentados durante a noite” com esse coquetel mortal, provavelmente misturado a alguma comida que os atrai. Segundo o L’Indépendant, esta não é a primeira vez que algo assim ocorre neste normalmente tranquilo vilarejo. ”Me chamaram em 2011 e em 2012 por causa de problemas parecidos. E agora voltou a acontecer de novo, com uma magnitude jamais vista antes. É uma vergonha!”, afirmou.

A morte coletiva de gatos – além de algum outro animal que possa ter ingerido o veneno – criou um clima de tensão em Saint-Pierre-la-Mer. “A situação se tornou insuportável, todos desconfiam de todos”, confessou Geneviève, outra moradora, ao jornal Ouest-France. E o medo vai além dos bichanos: “Temos medo que alguma criança acabe comendo esse veneno do qual não sabemos nada”.

Nos últimos dias, a associação de animais local anunciou em sua conta no Facebook que tem uma suspeita firme de quem seriam os responsáveis pelo massacre. Mas reconhece que carece de provas, e por isso pediu para que qualquer pessoa que tenha informações entre em contato. E os gatos continuam em perigo.

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