Chacal

Carlos, o Chacal, condenado à prisão perpétua por atentado de 1974

Preso na França desde 1994, terrorista venezuelano de 67 anos acumula terceira perpétua

Ilich Ramirez Sánchez em foto dos anos 1970, na chegada ao Palácio de Justiça em 2001 e no mesmo tribunal em 2013.
Ilich Ramirez Sánchez em foto dos anos 1970, na chegada ao Palácio de Justiça em 2001 e no mesmo tribunal em 2013. (AFP)

Sua longa estadia nas prisões de segurança máxima francesas – foi detido no Sudão em 1994 – tampouco parece tê-lo amolecido. Em sua última declaração, na mesma terça-feira horas antes da divulgação da sentença do Tribunal Criminal de Paris, Carlos, de 67 anos, vestido inteiramente de preto, havia condenado o “absurdo de realizar um julgamento 43 anos depois da ocorrência e qualificou todo o processo como “irregular”. De arrependimento, nada.

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Uma atitude desafiadora que manteve durante todo o julgamento, às vezes dando a impressão, com sua atitude, de que o que acontecia naquela sala e as declarações acusatórias das testemunhas, entre elas um antigo camarada, o terrorista alemão arrependido Hans Joachim Klein, não tinham nada a ver com ele.

“Pode ter sido Carlos, pode ter sido eu, mas não há prova”, disse em uma ocasião durante o julgamento pelo atentado cometido em 15 de setembro de 1974 contra o Publicis Drugstore no boulevard de Saint Germain. Não se conseguiu arrancar muito mais de quem continua se definindo, apesar do muito que o mundo mudou desde seus obscuros dias de glória, como um “revolucionário profissional” que se “recusa a se tornar um informante contra si mesmo”.

A granada lançada contra o estabelecimento parisiense naquele setembro de 1974 deixou dois mortos e dezenas de feridos. Entre eles, a espanhola María del Pilar Segui, que no dia do atentado tinha 10 anos e estava com a mãe e dois irmãos na galeria atacada. Ela foi ferida por estilhaços, assim como sua irmã Elvira, na época com 13 anos. Nesta semana retornou a Paris para assistir ao julgamento esperando que se “faça justiça” e ela possa “encerrar um capítulo” de sua vida, disse em declarações à agência France Presse.

Os mortos e feridos da Publicis Drugstore se somam à longa lista – quinze mortos, mais de uma centena de feridos – de vítimas de atentados cometidos por Carlos em território francês e pelos quais o terrorista de origem venezuelana já sabe que não sairá com vida da prisão.

Esse último julgamento começou em 13 de março ao fim de uma longa batalha legal depois da qual a Justiça francesa avaliou que a prescrição de 10 anos foi interrompida por procedimentos da investigação em outros sumários, que a seu parecer têm ligação com o atentado de 1974.

A investigação estabeleceu uma conexão entre Carlos, o atentado e a tomada de reféns na embaixada francesa em Haia, iniciada dois dias antes pelo Exército Vermelho japonês, um grupo armado de extrema esquerda. Ele nega, no entanto, participação no atentado.

A procuradoria acredita que Carlos cometeu o atentado para pressionar o governo francês em plena negociação com os sequestradores de Haia, que exigiam a libertação de um de seus membros detido no aeroporto de Orly em Paris.

Os advogados de Carlos haviam pedido sua absolvição. Não há provas conclusivas que vinculem Carlos ao atentado, admitiu a acusação. “Não temos DNA, impressões digitais nem imagens de câmeras de vigilância”, reconhecia o promotor, Rémi Crosson du Cournier, em suas alegações finais na segunda-feira. Mas “todos os elementos acumulados durante a investigação convergem para ele”, acrescentou referindo-se a Carlos, segundo a AFP. “Tenho a convicção de que Illich Ramírez Sánchez é o autor desse atentado criminoso”, afirmou. Os juízes de Paris deram-lhe a razão nesta terça-feira.

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