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Barbara, de 24 anos, é professora e participou da marcha pelo Dia Internacional da Mulher em São Paulo. Ela conta que é a primeira vez que participa de uma manifestação de 8 de março. Bárbara afirma que vem ficando cada vez mais sensível a como "as estruturas do patriarcado" estão presentes nela mesma e que é preciso ressignificar até mesmo a própria visão sobre alguns temas. Ela comenta, por exemplo, a questão da pílula anticoncepcional. Bárbara tem visto uma resistência crescente de mulheres que não querem mais serem as únicas responsáveis por prevenir a gravidez. Ela espera que esse movimento ganhe ainda mais força.
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“Eu vim porque...”, crise e reforma da Previdência na marcha em São Paulo

Em ato em São Paulo, mulheres (e homens) dizem porque decidiram participar da mobilização e criticam declarações de Michel Temer

  • "O dia de hoje é um dia de luta, não de parabenização, flores e etc. Não pode ser isso. É um dia de resistência!", diz a professora Graziela, no protesto em São Paulo, diante da Catedral da Sé. Ela conta que já acompanha os movimentos que lutam pelas mulheres há anos e defende que é importante ampliar a luta pelas mulheres trans que são afetadas pela violência, particularmente no Brasil.
    1"O dia de hoje é um dia de luta, não de parabenização, flores e etc. Não pode ser isso. É um dia de resistência!", diz a professora Graziela, no protesto em São Paulo, diante da Catedral da Sé. Ela conta que já acompanha os movimentos que lutam pelas mulheres há anos e defende que é importante ampliar a luta pelas mulheres trans que são afetadas pela violência, particularmente no Brasil.
  • Laura e Francisco são de Buenos Aires. Estão em São Paulo para uma atividade acadêmica e fizeram questão de estar presentes na marcha na cidade. Já acompanham a luta dos movimentos feministas na Argentina e entendem que a luta deve ser global.
    2Laura e Francisco são de Buenos Aires. Estão em São Paulo para uma atividade acadêmica e fizeram questão de estar presentes na marcha na cidade. Já acompanham a luta dos movimentos feministas na Argentina e entendem que a luta deve ser global.
  • Isabela Oliveira, de 36 anos, é antropóloga e diz que, além das pautas feministas mais evidentes,nota nos movimentos recentes a busca por representatividade política. "A porcentagem de mulheres em cargos eletivos no Brasil ainda é baixíssima. Venho pesquisando as manifestações de mulheres em São Paulo desde o ato contra Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara, em 2015)."
    3Isabela Oliveira, de 36 anos, é antropóloga e diz que, além das pautas feministas mais evidentes,nota nos movimentos recentes a busca por representatividade política. "A porcentagem de mulheres em cargos eletivos no Brasil ainda é baixíssima. Venho pesquisando as manifestações de mulheres em São Paulo desde o ato contra Eduardo Cunha (ex-presidente da Câmara, em 2015)."
  • A cartunista Laerte afirma que vê na movimentação pelo Dia da Mulher em 2017 um caráter mais definido. Um eixo deste ano por exemplo, ela diz, é a campanha #NiUnaAMenos, Nenhuma a Menos, contra violência machista. "É um ano especial. Eu procuro vir sempre no 8 de Março, eu procuro estar sempre na Parada do Orgulho LGBT, na marcha da maconha. São lugares que eu gosto de estar".
    4A cartunista Laerte afirma que vê na movimentação pelo Dia da Mulher em 2017 um caráter mais definido. Um eixo deste ano por exemplo, ela diz, é a campanha #NiUnaAMenos, Nenhuma a Menos, contra violência machista. "É um ano especial. Eu procuro vir sempre no 8 de Março, eu procuro estar sempre na Parada do Orgulho LGBT, na marcha da maconha. São lugares que eu gosto de estar".
  • O metalúrgico Diógenes, de 32 anos, diz que decidiu ir ao protesto em São Paulo porque crê a luta das mulheres é fundamental, contra o feminicídio e por direitos iguais. Ele diz que também se juntou à marcha para protestar contra reforma da Previdência, que, de acordo com a proposta do Governo no Congresso, iguala a idade mínima para a aposentadoria para ambos os gêneros, "apesar da jornada dupla das mulheres". Ele comenta porque trouxe as filhas: "A escola da minha mais velha se organizou para vir e ela, apesar de ter apenas seis anos, pediu para vir. Acho importante desde cedo elas terem consciência política, estarem na luta. É a única forma de transformar a sociedade".
    5O metalúrgico Diógenes, de 32 anos, diz que decidiu ir ao protesto em São Paulo porque crê a luta das mulheres é fundamental, contra o feminicídio e por direitos iguais. Ele diz que também se juntou à marcha para protestar contra reforma da Previdência, que, de acordo com a proposta do Governo no Congresso, iguala a idade mínima para a aposentadoria para ambos os gêneros, "apesar da jornada dupla das mulheres". Ele comenta porque trouxe as filhas: "A escola da minha mais velha se organizou para vir e ela, apesar de ter apenas seis anos, pediu para vir. Acho importante desde cedo elas terem consciência política, estarem na luta. É a única forma de transformar a sociedade".
  • Fernanda Cruz, de 39 anos, é professora universitária. Mãe de uma menina de dois anos e meio, ela diz que decidiu participar porque a data é um marco na luta contra violência machista. "Estou aqui neste ano, especificamente também, contra a reforma da Previdência, contra o Governo ilegítimo do Temer, contra a repressão que tem aumentado cada vez mais, e não só contra as mulheres."
    6Fernanda Cruz, de 39 anos, é professora universitária. Mãe de uma menina de dois anos e meio, ela diz que decidiu participar porque a data é um marco na luta contra violência machista. "Estou aqui neste ano, especificamente também, contra a reforma da Previdência, contra o Governo ilegítimo do Temer, contra a repressão que tem aumentado cada vez mais, e não só contra as mulheres."
  • José Henrique, de 58 anos, é professor da rede pública estadual e trabalha na saúde pública estadual. "A mulher negra é a que mais sofre opressão e mais está penalizada com as reformas, com o arrocho do Governo Temer. A população negra é o contingente que mais sofre com desemprego. A luta das mulheres é também dos homens e nós temos que nos somar para dar um basta nesta situação", diz ele.
    7José Henrique, de 58 anos, é professor da rede pública estadual e trabalha na saúde pública estadual. "A mulher negra é a que mais sofre opressão e mais está penalizada com as reformas, com o arrocho do Governo Temer. A população negra é o contingente que mais sofre com desemprego. A luta das mulheres é também dos homens e nós temos que nos somar para dar um basta nesta situação", diz ele.
  • Natalia Sandoval Pereira, de 25 anos, é enfermeira e defende a legalização do aborto. "As mulheres são as maiores usuárias dos Sistema Único de Saúde e são diretamente afetadas pela precarização dos serviços. Mais mulheres fazem abortos do que se imagina e a clandestinidade condena as mulheres de baixa renda a se sujeitarem a procedimentos de alto risco. Nem Estado nem entidades religiosas devem ter poder sobre o corpo da mulher", diz.
    8Natalia Sandoval Pereira, de 25 anos, é enfermeira e defende a legalização do aborto. "As mulheres são as maiores usuárias dos Sistema Único de Saúde e são diretamente afetadas pela precarização dos serviços. Mais mulheres fazem abortos do que se imagina e a clandestinidade condena as mulheres de baixa renda a se sujeitarem a procedimentos de alto risco. Nem Estado nem entidades religiosas devem ter poder sobre o corpo da mulher", diz.
  • A produtora de cinema Daniela Aun diz que decidiu ir à marcha em nome de todas as mulheres. Quanto à declarações do presidente Temer ligando o papel da mulher na economia ao orçamento doméstico, disse: "Não gosto nem de comentar. Ele é uma piada. Não deveria estar onde estar. Machista da pior espécie. Um Governo machista, cheio de homens ricos, brancos e velhos".
    9A produtora de cinema Daniela Aun diz que decidiu ir à marcha em nome de todas as mulheres. Quanto à declarações do presidente Temer ligando o papel da mulher na economia ao orçamento doméstico, disse: "Não gosto nem de comentar. Ele é uma piada. Não deveria estar onde estar. Machista da pior espécie. Um Governo machista, cheio de homens ricos, brancos e velhos".
  • Isabela, designer de 21 anos, diz que é sua primeira marcha. "Muito foda ver mulher de todo tipo aqui. Mulher com filho, mulher sem filho. Me dá um gás e uma esperança." Ela se diz contra as mudanças propostas na reforma da Previdência, que igualam a idade mínima de aposentadoria entre homens e mulheres. Ela considerou o discurso de Temer enfatizando o papel da mulher no ambiente doméstico "uma afronta". "Aqui não tem 'bela, recatada e do lar' não. Avise o Temer que o lugar de mulher é onde ela quiser".
    10Isabela, designer de 21 anos, diz que é sua primeira marcha. "Muito foda ver mulher de todo tipo aqui. Mulher com filho, mulher sem filho. Me dá um gás e uma esperança." Ela se diz contra as mudanças propostas na reforma da Previdência, que igualam a idade mínima de aposentadoria entre homens e mulheres. Ela considerou o discurso de Temer enfatizando o papel da mulher no ambiente doméstico "uma afronta". "Aqui não tem 'bela, recatada e do lar' não. Avise o Temer que o lugar de mulher é onde ela quiser".
  • Pompeia, que foi no protesto com as netas, carregava um cartaz autoexplicativo da idade: "88 anos de mulher na luta". Conta que se divorciou de um marido controlador aos 58 anos e, a partir daí, começou uma nova vida. Acredita que hoje há mais liberdade para as mulheres, mas que também ainda há muito o que conquistar.
    11Pompeia, que foi no protesto com as netas, carregava um cartaz autoexplicativo da idade: "88 anos de mulher na luta". Conta que se divorciou de um marido controlador aos 58 anos e, a partir daí, começou uma nova vida. Acredita que hoje há mais liberdade para as mulheres, mas que também ainda há muito o que conquistar.