Avalanche na Itália

Resgate em hotel soterrado por neve na Itália é encerrado após resgate das vítimas

Avalanche deixou 29 mortos, mas 11 pessoas foram resgatadas com vida Promotores investigam se o hotel estava construído em uma área instável

Equipes de resgates do hotel Rigopiano, na quinta-feira passada.
Equipes de resgates do hotel Rigopiano, na quinta-feira passada. (AP)

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Após uma intensa semana escavando palmo a palmo com a ajuda de cães e sondas, os serviços de resgate italianos deram por concluída a busca por desaparecidos entre as ruínas do hotel Rigopiano, sepultado por uma avalanche na região dos Abruzos (centro da Itália) na quarta-feira passada. Os trabalhos terminaram nesta quarta-feira, quando os dois últimos cadáveres foram recuperados. Ao todo, a tragédia deixou 29 mortos e 11 sobreviventes — eram 28 hóspedes e 12 empregados.

O número de vítimas é menos ruim do que se antevia inicialmente, mas ainda assim dramático, levando-se em conta a sucessão de erros que, segundo as primeiras informações, podem ter agravado o acidente. O Ministério Público local abriu uma investigação para apurar os detalhes da reação dos serviços de emergência depois do alerta sobre o ocorrido e para esclarecer se o hotel havia sido construído numa área de solo instável.

O primeiro-ministro italiano, Paolo Gentiloni, admitiu na quarta-feira no Senado que houve demora na chegada dos serviços de emergência. Mas defendeu o trabalho dos mais de 150 homens e mulheres que passaram uma semana esquadrinhando a neve em busca de sobreviventes. O serviço de emergência recebeu a primeira chamada de alarme às 17h08 (hora local) da quarta-feira, 18 de janeiro. Era Giampero Parete, o cozinheiro que se salvou por milagre da avalanche porque dois minutos antes havia ido ao estacionamento apanhar remédios para sua esposa. Ele viu como em um segundo a neve soterrou toda a sua família dentro do hotel. Na gravação, publicada no site do Il Corriere della Sera, ouve-se a sua voz entrecortada e angustiada pedindo socorro. “Aconteceu uma avalanche no hotel… em Farindola”, grita ao telefone. A atendente lhe responde: “Espere que vou transferir…”, e o deixa vários segundos na espera. Então entra outra telefonista, e ele se esgoela à toa. “Não sobrou nada do hotel, aconteceu uma avalanche, caiu tudo, só estamos duas pessoas…” Então a ligação cai.

Um pouco mais tarde, a dona da pizzaria onde Parete trabalha recebeu um WhatsApp desesperado do cozinheiro avisando-a do ocorrido, e ela liga para a subsede do Ministério do Interior em Pescara. A resposta que ouve é que rumores sobre a avalanche circulam desde a manhã, mas são inverídicos. Segundo a funcionária, os bombeiros já comprovaram que o Rigopiano continua em pé. “Acha que estaríamos aqui se fosse verdade?”, responde a funcionária, acrescentando que se trata da invenção de um imbecil, referindo-se ao cozinheiro. A telefonista, também investigada pelos promotores, encerra listando todas as confusões que o Ministério precisa resolver, e desliga após dizer: “Não é descortesia, mas trate de falar com o diretor [do hotel]”.

A procuradora-adjunta Cristina Tedeschini manifestou sua “incompreensão” após escutar as chamadas e observar que os serviços de emergência levaram quase duas horas para se mobilizar. Ressalva que, a julgar pelas seis primeiras autópsias, uma chegada mais rápida das equipes de resgate não teria sido suficiente para salvar essas vidas. “Concorrem várias causas nas mortes: esmagamento, asfixia e hipotermia. Não morreram por uma só causa.”

Por outro lado, os mapas geomorfológicos da região já advertiam nos anos 1990 que o hotel estava situado numa zona de risco devido ao acúmulo de neve. Além disso, o novo hotel Rigopiano foi construído sobre os restos de um antigo refúgio. Um fato que, conforme apontam os especialistas, implicava também um risco à estabilidade do edifício. Terminada a busca de sobreviventes, começa a dos culpados.

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