Detido um funcionário de Alan García pelo caso Odebrecht no Peru

Um vice-ministro envolvido escapa de uma ordem de captura por se encontrar no exterior

Entidades civis fazem passeata em Lima para condenar os casos de corrupção.
Entidades civis fazem passeata em Lima para condenar os casos de corrupção.ERNESTO ARIAS (EFE)

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O Ministério Público peruano empreendeu a Operação Palinginesia, com a primeira prisão do caso Odebrecht, a trama de corrupção orquestrada pela construtora brasileira que pagava subornos para ganhar contratos de obras públicas no continente. Edwin Luyo Barrientos, ex-presidente do Comitê de Licitação dos trechos 1 e 2 do metrô de Lima, e ex-funcionário do segundo Governo de Alan García (2006-2011), foi detido na capital peruana. A obra teve um orçamento inicial de 410 milhões de dólares (1,31 bilhão de reais), mas alcançou um valor final de 519 milhões (1,67 bilhão de reais). A procuradoria pediu 18 meses de prisão preventiva para ele.

Também foi expedida uma ordem de captura contra Jorge Cuba Hidalgo — vice-ministro das Comunicações de García —, cuja residência foi revistada pelas autoridades, mas ele não foi encontrado. Segundo a agência de imigrações do Peru, Cuba Hidalgo viajou aos Estados Unidos em 24 de dezembro de 2016, quando ainda não havia impedimentos legais para que abandonasse o país. O promotor Hamilton Castro titular da equipe de promotores criada para investigar o caso, informou que pedirá uma ordem internacional de prisão contra Cuba Hidalgo pelos delitos de suborno e lavagem de ativos. O ministro do Interior, Carlos Basombrío, confirmou que ele será incluído no sistema de recompensas.

Ambos os funcionários teriam pedido 8 milhões de dólares (25,6 milhões de reais) para favorecer a Odebrecht na licitação da Linha 1 do metrô, que remonta a 2009. Para receber o suborno constituíram duas sociedades anônimas. As empresas abriram contas na sucursal do Banco Privado de Andorra no Panamá, onde começaram a chegar os pagamentos parciais à medida que o processo de licitação avançava. Agora a procuradoria avalia pedir ao principado de Andorra e ao Panamá a retirada do sigilo bancário para conhecer em detalhes os movimentos de ambas as empresas.

Longa trajetória

Tanto Cuba Hidalgo como Luyo têm uma longa trajetória no serviço público. Em 2005 ambos estiveram na Prefeitura de Lima durante o primeiro período de Luis Castañeda Lossio, atual prefeito. Depois voltaram a trabalhar juntos quando Enrique Cornejo, também do APRA, o partido de García, exerceu o cargo de ministro dos Transportes e Comunicações do então presidente. Cuba Hidalgo foi vice-ministro das Comunicações e Luyo, presidente do Comitê de Licitação do metrô.

Cornejo e García condenaram as supostas ações de seus subordinados, mas poucos analistas acreditam que Cuba Hidalgo e Luyo tenham agido sem o aval de instâncias superiores. O jornalista Augusto Álvarez Rodrich afirma: "Seria ingênuo crer que esses funcionários de nível intermediário recebiam subornos milionários só para si, e não imaginar que pessoas de sua hierarquia atuavam como cobradores de propina para gente com muito mais poder de decisão.”

"Isto está apenas começando", acrescenta o analista. "Em breve, nós, peruanos, assistiremos outra vez a um espetáculo deplorável que revelará, como com os vladivídeos [as gravações do ex-assessor presidencial Vladimiro Montesinos, que levaram à derrubada do Governo de Alberto Fujimori], a podridão de uma política que opta pelo suborno.”