Jerusalém desiste de aprovar 600 novas moradias em um assentamento

Representante municipal diz que objetivo é evitar tensão nas relações com Obama

Moradias em construção no assentamento de Har Homa na terça-feira.
Moradias em construção no assentamento de Har Homa na terça-feira.ATEF SAFADI (EFE)

Um comitê municipal de Jerusalém cancelou os planos para votar nesta quarta-feira a aprovação de cerca de 600 novas moradias em um assentamento no leste da cidade, a parte árabe que foi anexada por Israel depois da guerra de 1967. A decisão foi tomada a pedido do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, segundo confirmou um membro do comitê de construção da capital, Hanan Rubin, à agência Reuters.

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Rubin afirma que esta decisão se baseia no desejo do país de “evitar tensionar as relações com a administração Obama” antes do discurso do secretário de Estado norte-americano, John Kerry, sobre o conflito entre Israel e a Palestina, planejado para esta quarta-feira.

A decisão chega em um momento de tensão para Israel, como consequência da resolução do Conselho de Segurança da ONU na sexta-feira, na qual condenou os assentamentos judaicos na Cisjordânia. Esta iria ser a primeira autorização deste tipo desde a aprovação da resolução.

Netanyahu pôs em andamento uma ofensiva de represálias diplomáticas sem precedentes. O primeiro-ministro ordenou a seu gabinete que durante as próximas quatro semanas e até a posse de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos se abstenham de viajar a 12 países que, como a Espanha, votaram em favor da resolução da ONU, e pediu a seus ministros que cerrem fileiras diante de novas pressões da comunidade internacional, que, segundo antevê, cairão sobre Israel.

Netanyahu alertou-os de que na conferência de ministros de Relações Exteriores marcada para Paris em 15 de janeiro cerca de 70 países se dispõem a adotar acordos sobre o processo de paz no Oriente Médio. O chefe de Governo expressou seu temor de que tais medidas possam ser submetidas de novo a votação no Conselho de Segurança da ONU.