A partir desta terça-feira, e até o final do ano, as mulheres espanholas trabalham grátis

Elas ganham 85,1% do salário de colegas homens. Segundo vários estudos, as mulheres sempre perdem

Manifestação do Dia Internacional da Mulher em Madri, em 2010.
Manifestação do Dia Internacional da Mulher em Madri, em 2010.Claudio Álvarez

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As estimativas anuais mostradas nesse gráfico produzido para a revista eletrônica francesa se baseiam numa jornada de 35 horas e num ano com 253 dias úteis, enquanto a das mulheres islandesas era para a jornada diária. Para a Espanha, alteramos essas duas variáveis, com uma média de 40 horas semanais e 250 dias de trabalho. O país fica na 15ª. colocação dentro da União Europeia (UE), junto com Noruega e Suíça, segundo os dados mais recentes do Eurostat (de 2014) sobre desigualdade salarial.

O órgão de estatística da UE, com dados nacionais oficiais, estima que a disparidade de gênero na Espanha seja de 14,9%, ou seja, que elas ganham apenas 85,1% do salário diário dos seus colegas homens. A média europeia é de 83,3%, segundo essa fonte.

Gráfico do VERNE com dados cortesia do WeDoData/’Slate France’, a partir de estatísticas de diferenças salariais do Eurostat 2014.
Gráfico do VERNE com dados cortesia do WeDoData/’Slate France’, a partir de estatísticas de diferenças salariais do Eurostat 2014.

Outros estudos pintam uma realidade ainda pior, e, apesar das divergências entre as cifras, no final as mulheres sempre perdem. A Federação de Estudos de Economia Aplicada (FEDEA) afirma que as mulheres ganham em média 20% a menos por hora do que os homens (e também têm mais dificuldades para conseguir emprego e ascender na carreira, entre outras desvantagens). Um estudo da ONG Intermón Oxfam publicado em 4 de novembro aponta que em 2015 a disparidade salarial piorou: segundo seus cálculos, as mulheres ganharam 18,8% a menos que seus colegas homens.

Mês em que o trabalho das mulheres começa a ser grátis, em comparação ao salário médio dos homens. Mapa do VERNE com dados cortesia do WeDoData/’Slate France’.
Mês em que o trabalho das mulheres começa a ser grátis, em comparação ao salário médio dos homens. Mapa do VERNE com dados cortesia do WeDoData/’Slate France’.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, se essa situação não for combatida a igualdade econômica entre ambos os sexos no mundo todo só se dará dentro de 170 anos, em 2186. Na classificação de igualdade salarial que esse organismo faz, entre 144 países, a Espanha aparece na 29ª. posição. Uma década atrás, havia chegado ao 11º. lugar.

Na França, o coletivo feminista Les Glorieuses fez seus próprios cálculos – errôneos, como explica o Le Monde – e estimou que a partir de 7 de novembro às 16h34 as francesas começavam a trabalhar de graça. Nesta segunda-feira, a mensagem circulou nas redes sociais, com a hashtag #7novembre16h34 no Twitter e um evento no Facebook. A ministra de Famílias, Infância e Direitos das Mulheres, Laurence Rossignol, apoiou a iniciativa, porque “dá visibilidade à desigualdade salarial”, e sua homóloga do Ministério de Educação, Najat Belkacem, também respaldou o movimento, que por enquanto não se concretizou numa convocatória de greve.

Fartas da desigualdade, 90% das islandesas, com trabalhados remunerados ou domésticos, fizeram greve em 24 de outubro de 1975. Os homens levaram na brincadeira, até que viveram as consequências: precisaram levar as crianças aos seus locais de trabalho, se puseram a comprar salsichas até esgotar o produto, fecharam escolas, teatros, lojas e fábricas de beneficiamento de peixe, e as que abriram funcionaram a meia força. Hoje, a Islândia é o país mais igualitário do mundo, embora ainda não tenha eliminado a desigualdade salarial, como reivindicaram em 24 de outubro deste ano.

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