Calais

Em três dias, ‘Selva’ dos migrantes em Calais, na França, fica quase vazia

Dezenas de ocupantes incendiaram suas tendas de campanha antes de partir

Pessoas observam as chamas nesta quarta-feira em Calais.
Pessoas observam as chamas nesta quarta-feira em Calais.EMILIO MORENATTI (AP)

A Selva de Calais já está praticamente vazia, apenas três dias depois do início da sua desocupação. Segundo cifras fornecidas pela prefeitura de Pas de Calais, até as 15h (11h em Brasília) desta quarta-feira já haviam sido retirados 4.404 migrantes e 1.200 menores não acompanhados. O censo de 10 dias atrás mostrava a presença de 6.484 pessoas neste inóspito lugar, que era naquele momento o maior campo de refugiados e imigrantes da Europa. Fica na costa nordeste da França, à beira do canal da Mancha, no principal acesso por via marítima à Grã-Bretanha.

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A transferência para centros de acolhida começou na segunda-feira às 8h (hora local). No dia seguinte, vários operários começaram a demolir à mão as improvisadas instalações. Nesta quarta, precisaram mudar de sistema por causa dos incêndios no local. Pelo menos 30 tendas de campanha arderam na Selva. Segundo a prefeita de Pas de Calais, Fabienne Buccio, que fiscaliza de perto todas as operações, trata-se de um costume dos migrantes: queimar o lugar que devem abandonar.

Esses incêndios não perturbaram o ordenado desalojamento maciço iniciado pelo Governo francês, mas causou algumas situações de risco. Alguns migrantes precisaram deixar o local às pressas, e muitos, com a ajuda de voluntários, se desfizeram dos botijões de gás, para evitar explosões. A polícia interpelou quatro pessoas pelos incêndios intencionais. As autoridades precisaram dissolver a fila dos menores não acompanhados, por causa de pequenos distúrbios, mas asseguraram que os poucos que ainda restam no campo seriam protegidos. A ONG França Terra de Asilo acredita que o total de menores desacompanhados em Calais antes da desocupação era de 1.291.

Dado o ritmo de retirada, Buccio declarou no começo da tarde que ainda nesta quarta-feira a Selva poderá ficar definitivamente vazia. Quando as instalações improvisadas forem destruídas, este buraco negro da migração europeia estará apagado do mapa — ao menos por um tempo. Os migrantes (a maioria com direito ao status de refugiados) foram retirados sempre de ônibus e voluntariamente.

Na manhã desta quarta saíram de lá 27 ônibus com destino a nove regiões da França. Os que desconfiam das autoridades preferiram deixar o local para se esconder à espera de realizar o sonho de chegar clandestinamente ao Reino Unido. Com essa intenção, alguns grupos já haviam deixado o acampamento a pé nos últimos dias. Muitos outros decidiram embarcar nos ônibus quando viram os incêndios. Outros esperaram até se convencerem do que as autoridades e os voluntários das organizações humanitárias lhes diziam.