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“Chamei a polícia para pedir ajuda e mataram meu irmão!”

Polícia de El Cajon, San Diego, mata um afro-americano desarmado, o terceiro nos Estados Unidos em 10 dias

Na foto, à direita, o homem que depois faleceu em suposta posição de disparo.

Em meio a uma crescente tensão causada nos Estados Unidos por uma nova série de assassinatos de homens afro-americanos pela polícia, um agente de El Cajon (perto de San Diego, Califórnia), matou a tiros, nesta terça-feira, um homem negro que estava desarmado. É o terceiro caso que chega ao conhecimento dos meios de comunicação em menos de duas semanas. O homem, que a polícia ainda não identificou oficialmente, teria se negado a obedecer às ordens dos policiais e à certa altura fingiu com as mãos que lhes apontava uma arma, o que provocou os disparos dos agentes. Ele não tinha nenhuma arma. Os agentes haviam chegado ao local depois de receber um telefonema dando conta do comportamento estranho da vítima.

“Chamei para pedir ajudar, não para que o matassem!”, disse uma mulher identificada como sendo irmã da vítima em um vídeo divulgado por uma testemunha no YouTube. “Meu Deus, mataram meu irmão!”, repete ela, chorando no local do assassinato. A mulher diz que a vítima tem 30 anos de idade e sofria de problemas mentais. “Por que não o contiveram com a pistola elétrica? Eu tinha dito que ele tinha problemas mentais, mas o mataram!”.

O chefe da polícia da localidade, Jeff Davis, disse que os tiros foram disparados depois que o homem agora falecido se negou a obedecer às “várias ordens” dos policiais mantendo as mãos nos bolsos. “De repente, ele tirou um objeto do bolso da frente da calça, juntou as mãos e esticou os braços na direção dos agentes em posição de tiro”. Nesse momento, ele estava sob a mira de uma policial, que estava à sua frente, e de um outro policial, que estava em um dos lados com uma pistola elétrica. Os dois dispararam.

Protestos foram convocados para esta quarta-feira em San Diego por parte de movimentos contra a violência policial.

A polícia de El Cajon divulgou uma nota em que explica como ocorreu o incidente com um homem negro com cerca de trinta anos, que “vinha agindo como se estivesse fora de si”, segundo relato feito à polícia pela irmã do falecido, que havia pedido ajuda aos agentes. “O homem estava andando de um lado para outro enquanto os policiais tentavam falar com ele. À certa altura, ele tirou rapidamente um objeto do bolso da frente da calça, juntou as mãos e esticou os braços rapidamente na direção dos agentes em algo que parecia ser uma posição de tiro. Nesse momento, o agente que portava um equipamento de controle elétrico descarregou a sua arma. Ao mesmo tempo, o funcionário que empunhava uma arma de fogo disparou várias vezes, acertando o indivíduo”, afirma a nota oficial.

O Departamento de Polícia de El Cajon divulgou uma fotografia extraída de um vídeo do incidente em que se pode ver dois agentes apontando suas armas para o falecido (cujo nome não foi divulgado), que, por sua vez, aparece como se estivesse apontando uma arma para um dos policiais.

Esse vídeo foi registrado pelo telefone celular de uma testemunha que gravou toda a cena e entregou as imagens para a polícia, para investigação. O Departamento ainda não divulgou essa gravação. Pela foto, não é possível saber se o homem levava ou não uma arma nas mãos. Segundo o jornal Los Angeles Times, os investigadores não encontravam nenhuma arma no local.

Depois do acontecimento, cerca de 200 pessoas, segundo a CNN, se reuniram para protestar em frente à delegacia da localidade, situada na periferia de San Diego. Esse caso ocorre apenas uma semana depois das grandes manifestações registradas em Charlotte (Carolina do Norte) depois da morte de um outro afro-americano pela polícia e vem cercado por um clima crescente de crispação racial no país. Ele acontece, também, apenas dez dias depois de que um outro afro-americano foi morto a tiros por uma agente policial de Tulsa (Oklahoma).

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