França constrói muro junto à ‘selva’ de Calais para impedir acesso de imigrantes

Barreira dupla de quatro metros servirá para impedir a entrada numa rodovia

Operários franceses instalam arames farpados em uma cerca perto do porto de Calais, nesta quarta-feira. CHARLES PLATIAU (REUTERS) / VÍDEO: REUTERS-QUALITY (reuters_live)

A zona portuária de Calais é um labirinto de cercas e alambrados para evitar a fuga de imigrantes para o canal da Mancha. Agora, França e Reino Unido iniciaram a última fase: a fortificação da rodovia E-15 em seu último trecho antes de chegar ao porto francês. Em cada lado da estrada haverá uma cerca com quatro metros de altura e um quilômetro de comprimento. Perto fica a Selva, área destinada a refugiados que alcançou a cifra recorde de 7.000 a 9.000 pessoas amontoadas sobre suas dunas sujas.

A França apresenta essa dupla barreira como um muro antirruído, mas também como um muro “anti-intrusão”. Segundo autoridades do Governo nacional em Calais, as obras começaram em meados de agosto e durarão quatro meses.

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Um quilômetro da rodovia, entre o viaduto sobre a estrada de Gravelines e o acesso ao grande complexo portuário, ficará selado. Por fora, os muros serão de concreto cinza. Por dentro, motoristas e passageiros verão uma decoração com plantas. Haverá iluminação e câmeras de vigilância.

Desta maneira, as autoridades de ambos os lados do canal da Mancha esperam reduzir drasticamente as invasões da rodovia por migrantes. Segundo a polícia, seus agentes já chegaram a intervir até 30 vezes numa só noite para dispersar grupos que tentam reduzir a velocidade dos caminhões para se introduzirem neles e passar a fronteira.

O secretário (ministro) britânico de Imigração, Robert Goodwill, citou o projeto do muro durante audiência parlamentar nesta quarta-feira, informa a Reuters. França e Reino Unido há anos mantêm uma estreita colaboração no controle fronteiriço de Calais, apoiando-se nos chamados acordos de Touquet. Londres, aliás, pagou a construção desse novo trecho do muro, orçado em 2,7 milhões de euros (9,7 milhões de reais). É parte dos 17 milhões de euros oferecidos em março pelo Reino Unido para que a França continue barrando em seu território os migrantes que querem chegar à Grã-Bretanha.

A nova muralha surge num momento de máxima tensão na Selva de Calais. Sua população duplicou neste verão, apesar do desmonte parcial ocorrido em março. O Governo francês se diz disposto a acabar com este vergonhoso enclave, mas não marcou data. Na segunda-feira, cidadãos de todos os setores econômicos de Calais bloquearam o acesso ao porto para protestar contra uma situação que, segundo eles, eleva a insegurança e prejudica seus interesses.

As novas barreiras serão bem visíveis a partir da Selva, como já são os muros e cercas do porto, o mais usado pelas empresas de transporte europeias para cruzar o canal da Mancha. A França instalou moradias modulares no acampamento para acolher uma parte dos refugiados lá estabelecidos, mas a pressão explodiu, multiplicando os problemas internos.

O número de solicitantes de asilo na França cresceu nos dois últimos anos; daí a iniciativa da Prefeitura de Paris de construir um grande campo de refugiados. A maioria dos que chegam a Calais a caminho do Reino Unido passa primeiro pelas ruas e descampados da capital.

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