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Imperador do Japão confirma seu desejo de abdicar

Akihito, de 82 anos, reconhece que devido a sua saúde será difícil “continuar assumindo responsabilidades importantes”

Akihito, em dezembro, em Tokiola, na comemoração de seu 82º aniversário. Reuters-Quality

O imperador do Japão, Akihito, confirmou publicamente nesta segunda-feira seu desejo de abdicar devido à sua avançada idade e antes que sua saúde não lhe permita mais exercer suas funções com desenvoltura. Em uma mensagem televisada, o soberano japonês mostrou sua preocupação com que “algum dia” se encontre com dificuldades para executar seu papel de chefe de Estado, algo que “poderia ter efeitos adversos para a sociedade” japonesa.

Em um vídeo de cerca de 10 minutos gravado no Palácio Imperial, Akihito evitou se referir de maneira direta ao processo de abdicação, já que a legislação da Casa Real do país não contempla essa possibilidade. Para que o atual imperador ceda o Trono do Crisântemo a seu filho Naruhito, o Parlamento japonês precisaria aprovar uma reforma do marco legal vigente.

“Preocupa-me a possibilidade de se tornar difícil para mim executar minhas responsabilidades como símbolo do Estado, tal e qual venho fazendo até agora”, afirmou Akihito, de 82 anos. Foi a segunda intervenção desse tipo feita pelo monarca desde que ascendeu ao Trono do Crisântemo, em 1990. A primeira ocorreu em 2011, após o terremoto e posterior tsunami que assolaram a costa nordeste do país provocando milhares de mortes e um acidente na usina nuclear de Fukushima.

“Há momentos em que sinto várias limitações por conta da minha condição física”, disse Akihito, que descartou a possibilidade de contornar a situação somente transferindo algumas competências a seu herdeiro. “Quando um imperador fica doente ou seu estado de saúde é grave, fico preocupado que, como ocorreu no passado, a sociedade entre em ponto morto ou que a situação acabe impactando na vida da população (...) Em muitas ocasiões me pergunto como seria possível evitar essa situação”, destacou.

Akihito sofre de problemas de saúde desde que enfrentou um câncer de próstata, em 2003. O tratamento o ajudou a se recuperar da doença acabou contribuindo para uma osteoporose. Em 2011, ele sofreu uma pneumonia, e um ano mais tarde se submeteu a uma cirurgia de ponte de safena.

A opção de renunciar ao trono por motivos de saúde é uma decisão insólita na história moderna do país. A última vez em que um soberano japonês abdicou do trono foi há dois séculos, quando o imperador Kokaku renunciou em 1817. Akihito mostrou sua disposição de ceder a chefatura do Estado a seu filho semanas depois que vários veículos de comunicação locais revelaram que o imperador queria abdicar “dentro dos próximos anos”.

Ainda que não tenha sido dito de forma explícita, o legislativo japonês deve iniciar em breve o procedimento para abordar uma reforma da lei que rege a Casa Real e que facilite a abdicação de Akihito em favor de seu filho. Após a transmissão do comunicado, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, afirmou que o Governo “leva muito a sério” as palavras do imperador e que começará a buscar um caminho para que a vontade dele seja cumprida. “Precisamos ver o que podemos fazer”, disse Abe, segundo a agência Kyodo. A coalizão liderada pelo partido do atual chefe de Governo goza de ampla maioria tanto na Dieta (câmara de conselheiros e representantes) como no Senado.

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