Cunha recorre a Temer para emplacar aliado na presidência da Câmara

Deputado e presidente interino já se encontraram três vezes. A última, no domingo passado

Cunha no último dia 21, em Brasília.
Cunha no último dia 21, em Brasília.FERNANDO BIZERRA JR (EFE)

Perto de ser cassado do cargo de deputado federal, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda tenta interferir nas decisões da Casa por intermédio de seu aliado que hoje está no principal posto da República, o presidente interino Michel Temer. Na noite de domingo, os dois se encontraram na residência oficial da vice-presidência, o Palácio do Jaburu, em Brasília. O encontro, confirmado pelo Governo, mas negado pelo deputado, foi para tratar da sucessão no comando do Legislativo. O parlamentar quer emplacar um membro do seu grupo político, o centrão, na presidência da Câmara.

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Até o fim de julho, o parecer do Conselho de Ética a favor da perda do mandato de Cunha deverá chegar ao plenário da Casa. A expectativa de lideranças partidárias é que cerca de 450 dos 512 deputados com direito a voto optem por cassá-lo. O que deve influenciar na decisão de cada parlamentar é que a votação será aberta, assim como foi na abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT).

Com o encontro de domingo, essa foi a terceira ocasião em que Temer e Cunha se encontraram desde que Rousseff deixou o poder, no dia 12 de maio. Na semana passada, em entrevista a cinco jornais brasileiros, Temer havia dito que não via problemas em conversar com um deputado que foi afastado de suas funções por ser réu no Supremo Tribunal Federal e ser acusado de usar do cargo para se beneficiar.

“Aqui no Brasil há esse preconceito. Acha que não se pode falar com ninguém. Me lembro que no governo [passado], quando eu falava com a oposição, ficavam irritados, achando que eu estava traindo o governo. O que revela uma ignorância em matéria política. Ou que não pode falar com uma pessoa que está sendo investigada. Eu falo com todo mundo. Tenho 33 anos de vida pública e falo com todo mundo”, afirmou na última sexta-feira, quando explicou que um dos encontros com Cunha foi para tratar da “situação dramática” vivida pelo parlamentar.

O presidente interino já havia sido orientado por auxiliares a evitar contato com Cunha. Uma pesquisa da consultoria Ipsos Public Affairs divulgada na segunda-feira mostrou que a reprovação ao Governo dele piorou entre o mês passado e este. Subiu de 67% para 70%. Por outro lado, à rejeição à presidenta afastada caiu de 80% para 75%. À BBC Brasil, Danilo Cersosimo, diretor da consultoria, afirmou que a impopularidade do peemedebista se deve à imagem do político tradicional que ele ostenta, à ausência de uma agenda clara de mudanças e ao contexto turbulento no qual governa.

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