“A solução mais fácil era botar o Michel”. Os principais trechos do áudio de Romero Jucá

Diálogo entre Jucá e Machado faz ilações sobre STF e sugere acordo para “delimitar” a Lava Jato

áudio de Romero Jucá
Romero Jucá, ministro licenciado do Planejamento Reuters

A interceptação do diálogo entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR), agora licenciado do cargo de ministro do Planejamento, e o empresário Sergio Machado, da Transpetro, trouxe material explosivo para a narrativa da Lava Jato. Para muitos, ela deu voz aos que temiam que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff estivesse sendo arquitetado com o intuito de retardar ou atrapalhar o avanço das investigações sobre o esquema de propina da Petrobras. “Tem que ter um impeachment”, afirma Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro, num trecho da gravação divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo. “Tem que ter impeachment. É a única saída”, concorda Jucá, enquanto falam sobre os rumos da Lava Jato.

Mas, para além dessa suspeita, cujas informações ainda estão sob avaliação da Procuradoria Geral da República, a conversa entre os dois investigados menciona nomes de delatores como Marcelo Odebrecht, por exemplo, que poderia fazer sua delação, mas de maneira parcial, segundo trecho da gravação. Insinua, ainda, um suposto contato estreito com juízes do Supremo, onde o assunto seria o rumo das investigações, e reforça suspeitas sobre atos ilícitos do senador e presidente do PSDB, Aécio Neves.

O ministro do STF, Luís Roberto Barroso, disse nesta segunda que é impensável que qualquer pessoa, individualmente, tenha acesso ao Supremo. “Para pedir audiência, todos têm acesso. Recebo todos que me pedem. Mas, acesso para intervir? Eu duvido muito que isso aconteça.”

As conversas mostram, ainda, que o rumo da investigação vai além do PT, uma tese mantida inicialmente pelos petistas, que se sentiam perseguidos pelo juiz Sérgio Moro. Reiteradas vezes a presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e outros políticos petistas reclamaram de vazamentos seletivos. As gravações mostram que os dois interlocutores estão cientes que as investigações afetam a todos. 

Delação seletiva de Odebrecht

- Odebrecht vai fazer [delação premiada], afirma Machado.

- Seletiva, mas vai fazer, retruca Jucá.

Proximidade com Supremo

Em determinado momento, o agora ministro licenciado do Planejamento diz:

- Conversei ontem com uns ministros do Supremo. Os caras dizem ‘ó, só tem condições de... sem ela [Dilma]. Enquanto ela estiver ali, a imprensa, os caras querem tirar ela, essa porra não vai parar nunca’.

Em outro trecho, sugere que um acordo nacional, ou pacto, para “delimitar” a Lava Jato com participação do Supremo.

- Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]... É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional, sugere Machado.

- Com o Supremo, com tudo, afirma Jucá.

- Com tudo, aí parava tudo, anuncia Machado.

- É delimitava onde está, pronto, afirma o senador peemedebista.

 Muito além do PT

Sergio Machado, em determinado momento diz que “eles”, ou seja, a força tarefa da Lava Jato, quer pegar todos os políticos.

- A situação é grave. Porque, Romero, eles querem pegar todos os políticos. É que aquele documento que foi dado..., diz Machado.

- Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura, que não tem a ver com..., responde Jucá.

- Isso, e pegar todo mundo.

O esquema de Aécio Neves

O senador do PSDB, Aécio Neves, presidente do seu partido, também novamente é citado como alguém vulnerável para as investigações conduzidas pelo juiz Sérgio Moro.

- E o PSDB, não sei se caiu a ficha já. [Machado]

– Caiu. Todos eles. Aloysio [Nunes, senador], [o hoje ministro José] Serra, Aécio [Neves, senador], responde Jucá.

– Caiu a ficha. Tasso [Jereissati] também caiu?

– Também. Todo mundo na bandeja para ser comido.

[...]

– O primeiro a ser comido vai ser o Aécio.

– O Aécio, rapaz... O Aécio não tem condição, a gente sabe disso. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB... [Machado]

– É, a gente viveu tudo.

Consequência eleitoral

­– É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma... (Machado)

– Não, esquece. Nenhum político desse tradicional ganha eleição, não.

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