O que é o novo ‘Centrão’ e por que o grupo é decisivo para Michel Temer

Grupo armado por Cunha há quatro anos foi central no impeachment e agora avança

Kassab, o presidente do PSD, um dos membros do centrão.
Kassab, o presidente do PSD, um dos membros do centrão. Ag. Brasil

Um grupo fisiológico que age conforme o vento governista, mas que ganhou força desde que o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) começou a comandá-lo há cerca de quatro anos. Este é o novo Centrão da Câmara dos Deputados. Formado por uma lista de 13 partidos conservadores que vai do PP ao PSD, o grupo, até ano passado, tinha chegado ao auge quando elegeu o próprio Cunha presidente da Câmara, em primeiro turno, com 267 dos 513 parlamentares da Casa. O Centrão deu apoio quase maciço - e decisivo - ao impeachment de Dilma Rousseff na Câmara e agora ameaça colocar Michel Temer contra a parede. Tem agora entre 260 e 270 parlamentares, número suficiente para aprovar simples projetos de lei e próximo dos três quintos necessários (308) para aprovar propostas de emendas constitucionais.

A origem do termo Centrão é a Constituinte de 1988 e remete à formação de uma maioria capaz de mudar o jogo no Congresso. Durante os debates sobre a nova Constituição, em 1987, um grupo suprapartidário de centro e direita se formou para dar apoio ao então presidente José Sarney. Segundo o CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil), da FGV, lideranças conservadoras do PFL, PL, PDS, PDC e PTB, além de nomes do PMDB, conseguiram mudar a forma de aprovação do texto e conquistaram vitórias importantes, como a duração do mandato presidencial. As críticas viriam pela prática de negociar apoio em troca de cargos e benesses.

Desde então, sempre que há organização de um punhado de partidos para formar uma maioria, o termo ressurge. Esta reencarnação do Centrão já esteve no Governo Dilma Rousseff e agora está na gestão interina de Michel Temer. Nos ministérios, seus principais representantes são os ministros da Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab (PSD), da Indústria, Marcos Pereira (PRB), da Agricultura, Blairo Maggi (PP), da Saúde, Ricardo Barros (PP), e dos Transportes, Maurício Quintela (PR). Correligionários deles, quando não os próprios, estiveram na gestão anterior.

A atuação do Centrão no impeachment na Câmara é considerada decisiva. Poucos dias antes de ter seu processo de destituição aprovado pela Câmara, a presidenta chegou a entregar uma centena de cargos a representantes dessa legenda na expectativa de vetar defecções. Não teve sucesso. Ao mesmo tempo em que negociavam com ela, os líderes centristas pediam para que Temer ao menos mantivesse quem fora empossado no mesmo cargo que a petista acabara de nomeá-los. Receberam um sinal positivo e migraram rapidamente para o barco peemedebista.

A indicação de André Moura (PSC-SE) para a liderança do Governo mostra que o centrão está vivo e forte. Um parlamentar de um partido quase inexpressivo desbancou figuras de legendas que têm mais de 30 deputados, como o PSDB. Para parlamentares que acompanham há mais de 15 anos o dia a dia do Congresso Nacional, nessa legislatura o centrão se fortaleceu ainda mais com a eleição da bancada mais conservadora dos últimos tempos e promete apresentar cada vez mais projetos voltados para os grupos ruralistas, fundamentalistas religiosos e que representam forças de segurança. É uma vitória da bancada BBB (bala, boi e bíblia).

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