Protesto contra partido xenófobo alemão termina com 400 detidos

O Alternativa para a Alemanha (AfD) está reunido em Stuttgart para definir sua política de imigração

Uma policial utiliza gás de pimenta para tentar conter os manifestantes concentrados, no sábado, para protestar contra uma reunião do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), em Stuttgart.
Uma policial utiliza gás de pimenta para tentar conter os manifestantes concentrados, no sábado, para protestar contra uma reunião do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), em Stuttgart.PHILIPP GUELLAND (AFP)

A polícia alemã deteve 400 manifestantes durante um protesto, no sábado, contra a convenção do partido populista xenófobo Alternativa para a Alemanha (AfD), em Stuttgart. Vários grupos esquerdistas foram os responsáveis pela convocação do protesto multitudinário nos arredores do local onde os membros do AfD estavam reunidos e em algumas áreas do centro da cidade. A mobilização terminou em confrontos com a polícia quando os manifestantes tentaram bloquear a entrada ao congresso.

Mais de mil manifestantes participaram do protesto e, segundo a polícia, muitos deles estavam encapuzados, armados com barras de ferro e bastões de madeira. “Os mais violentos foram detidos”, disse um porta-voz da polícia, que explicou também que alguns deles queimaram contêineres e pneus para fazer barricadas e dificultar o acesso ao estacionamento do local da reunião. “Eles jogaram garrafas vazias e alguns nos atacaram com barras de ferro”, acrescentou.

Mais informações

O local da convenção, a 15 quilômetros do centro do Stuttgart, foi isolado em um raio de meio quilômetro e mais de 2.000 efetivos da polícia foram mobilizados para impedir novos enfrentamentos diretos entre os militantes do AfD e os manifestantes, que conseguiram bloquear duas estradas importantes, o que surpreendeu tanto a polícia quanto os membros do partido populista que tentavam chegar ao evento.

Os distúrbios obrigaram os organizadores do congresso do AfD a adiar seu início em mais de uma hora. “Começamos com atraso e não foi fácil chegar até aqui. Apenas o fato de que possamos nos reunir já é um êxito que ninguém teria prognosticado há três anos”, afirmou o vice-presidente do partido, Alexander Gauland.

A polícia detém um manifestante durante o protesto contra o AfD, em Stuttgart.
A polícia detém um manifestante durante o protesto contra o AfD, em Stuttgart.Christoph Schmidt (AP)

O protesto violento de sábado, em Stuttgart, é um sintoma da tensão que paira sobre o país europeu. “A resistência é maravilhosa”, gritavam, em coro, os manifestantes enquanto a polícia ordenava, através de alto-falantes, que eles deixassem o local e acabassem com o protesto. “Fora nazistas!” e “vamos chegar por todos!”, também estavam entre as palavras de ordem entoadas durante a manifestação.

Os grupos autônomos de esquerda ganharam uma fama negativa no país, não só pela organização de seus protestos, mas também pela violência que demonstram na hora de atacar seus adversários, sem ataduras com o sistema político alemão.

Cerca de 2.000 militantes se registraram para participar do congresso do AfD, que tem como objetivo aprovar um programa que os ajude a ter uma representação parlamentar no Bundestag (Parlamento alemão) nas eleições gerais de 2017. O partido direitista tem ganhado o apoio de um amplo setor da população alemã, e pode se converter, em breve, na terceira maior força política do país (caso os resultados das pesquisas não estejam equivocados). No entanto, seu ideário xenófobo e sua aproximação com a extrema direita também o transformaram em um grande inimigo dos grupos de esquerda e dos partidos tradicionais com representação no parlamento nacional.

O congresso do AfD, marcado pelas tensões entre sua ala xenófoba e a que se mostra um pouco mais moderada, será o cenário do pulso interno de uma formação que está em seu auge, e que conseguiu crescer a partir da posição contrária à acolhida de refugiados.