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EUA alertam que impacto do zika é “mais alarmante” do que o esperado

Mosquito transmissor já está presente em 30 Estados, 18 a mais do que se acreditava até agora

Anne Schuchat, diretora-adjunta do CDC, nesta segunda-feira na Casa Branca.
Anne Schuchat, diretora-adjunta do CDC, nesta segunda-feira na Casa Branca. AP

As autoridades sanitárias dos Estados Unidos alertaram nesta segunda-feira que a propagação e o potencial impacto do zika vírus no país norte-americano é “mais alarmante” do que se estimava inicialmente, por causa da conclusão de que o mosquito transmissor está presente em 30 Estados norte-americanos, e não em 12, como se acreditava anteriormente.

“Tudo o que estamos vendo sobre este vírus parece ser mais alarmante do que pensávamos originalmente”, afirmou a jornalistas, na Casa Branca, a médica Anne Schuchat, diretora-adjunta dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês). Na mesma linha, o diretor dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), Anthony Fauci, salientou que o zika é um vírus “muito incomum” e que é necessário “conhecer muito mais” a respeito dele e dos seus efeitos sobre os humanos. “Quanto mais aprendemos [sobre o zika vírus], mais preocupados estamos com o alcance do que este vírus está fazendo.”

Schuchat afirmou que o Governo está “bastante preocupado” com a situação em Porto Rico, um território associado dos EUA, onde o número de contaminados pode chegar a “centenas de milhares”, com consequências para “centenas de bebês”. Até agora, não há cifras significativas sobre casos de transmissão local do zika no território continental dos EUA, “mas precisamos estar preparados”, alertou a especialista. Segundo os últimos dados do Departamento de Saúde porto-riquenho, foram confirmados 436 casos do vírus na ilha desde o começo do ano, sendo 60 em mulheres grávidas.

Além disso, de acordo com os CDC, até a semana passada foram notificados 346 contaminações nos EUA contraídas durante viagens a regiões epidêmicas, sendo 32 envolvendo mulheres grávidas, 7 por transmissão sexual e um caso em que o paciente apresentou a síndrome neurológica de Guillain-Barré. O zika vírus circula atualmente em grande parte dos países das Américas, e, apesar de geralmente causar apenas sintomas leves, causa uma grande preocupação devido à sua provável relação com essa síndrome e com casos de microcefalia em recém-nascidos.

Quanto às pesquisas sobre tratamento e prevenção do vírus, Fauci observou que está mantida a previsão de que uma vacina desenvolvida pelos NIH comece a ser testada em setembro. “Realmente não temos tudo o que precisamos”, afirmou Fauci sobre os recursos disponíveis para a pesquisa, recordando que foi preciso recorrer a verbas “de outras áreas” diante da inação do Congresso para autorizar os 1,9 bilhão de dólares (6,63 bilhões de reais) solicitados em fevereiro pelo presidente Barack Obama.

Na semana passada, o Governo norte-americano anunciou que, diante da impossibilidade de contar por enquanto com a verba solicitada pela Casa Branca, irá destinar ao zika 589 milhões de dólares que estavam em sua maior parte alocados para o combate ao ebola. A verba “nos ajudará a chegar um pouco mais longe, mas ainda não é o que queremos”, insistiu Fauci.

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