A GUERRA NA SÍRIA

Exército de Al Assad retoma as ruínas históricas de Palmira

Tropas afirmam que recuperaram dois terços da cidade que estavam nas mãos do Estado Islâmico

Milicianos pró Al Assad diante da Cidadela de Palmira.M. MOUNES

O Exército sírio tomou do Estado Islâmico o controle das ruínas greco-romanas de Palmira. “Nos próximos dois dias o Exército controlará toda Palmira. Hoje já domina dois terços da cidade”, afirmou em um telefonema Hayat Awad, assessor de imprensa da província de Homs, onde está Palmira. Awad afirmou que no domingo eram travados “duros combates ao redor do aeroporto, o Exército tentava cortar a rota de fuga do EI a Raqqa”, a capital do autoproclamado califado.

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Apoiado por milícias aliadas e com a ajuda das aviações síria e russa, as tropas regulares lutam para expulsar o EI de Palmira, sob o controle dos terroristas desde maio. As forças leais conseguiram cercar a cidade pelos lados sul, oeste e norte, em um avanço prejudicado por uma barreira de explosivos colocados pelo jihadistas. Segundo fontes militares sírias, a coordenação das operações teve como responsáveis líderes das diversas forças de apoio reunidos nas proximidades da cidade.

Catalogada como patrimônio da humanidade pela Unesco, Palmira possui numerosos templos e ruínas greco-romanas. Na cidade permanecem somente 15.000 civis de uma população inicial de 70.000. O campo de batalha é em pleno deserto, onde a ampla visibilidade dá vantagem à artilharia e aos bombardeios das tropas regulares. Mas Rawad afirma que é “difícil” usar a artilharia na cidade velha para não danificar as ruínas.

Vários ativistas acusaram a aviação síria de danificar o patrimônio da cidade e uma rede de televisão russa mostrou imagens captadas por um drone da localização dos templos milenares de Bel e Baal-Shamin, destruídos pelo EI. Nas redes sociais foram publicadas fotografias de homens uniformizados posando para fotos entre as ruínas.  

As forças sírias conseguiram cercar a cidade pelos lados sul, oeste e norte

Grande vitória

A recuperação de Palmira pelo Governo de Damasco seria a maior vitória de suas tropas sobre o EI desde sua criação dois anos atrás. “Uma vez recuperada Palmira, poderemos controlar as vias de abastecimento terroristas com a Jordânia e o Iraque, assim como prosseguir rumo a Raqqa”, avaliou por telefone o porta-voz do Exército sírio, o general Samir Suleiman.

Os especialistas militares dizem que quem controlar a cidade dominará os 30.000 quilômetros quadrados de deserto que a rodeiam, uma extensão que equivale a um terço do território sírio atualmente sob o controle do califado.

Os combates ocorrem durante uma trégua parcial acertada em Genebra entre o regime de Bashar al-Assad e as fações opositoras, mas a Al Qaeda e o EI não fazem parte do acordo. “A trégua é favorável para nossas tropas. Os soldados precisam de um descanso e também podemos unificar recursos limitados em uma só frente contra os terroristas”, diz um oficial sírio que prefere manter-se anônimo.

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