Crise política

Após protestos anti-PT, ato contra impeachment mede forças na avenida Paulista

Depois de manifestações pela saída de Dilma, avenida é esvaziada pela PM e Lula é esperado

Manifestação em São Paulo contra o impeachment de Dilma.
Manifestação em São Paulo contra o impeachment de Dilma.NELSON ALMEIDA (AFP)

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Após seguidas manifestações pró-impeachment, incluindo uma ocupação de dois dias, a avenida Paulista vai medir as forças dos que apoiam a permanência de Dilma Rousseff, e mais recentemente Lula, no Planalto. Um ato marcado para esta sexta-feira na avenida que é o coração da cidade pretende reunir governistas e militantes de diversos movimentos populares em reação às ofensivas pró-impeachment das últimas semanas. Outras cidades do país também chamam a militância para ir às ruas em defesa "da democracia", como dizem as convocatórias. A presença do ex-presidente Lula no ato é uma das grandes expectativas da militância em São Paulo.

No início desta manhã, o batalhão de Choque da Polícia Militar agiu com jatos de água e algumas bombas de gás para que os manifestantes pró-impeachment desocupassem a avenida Paulista, já que o ato dos governistas estava marcado previamente, como manda o protocolo da secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Uma tensão que paira sobre a manifestação desta sexta é justamente a possibilidade de confrontos entre os que são contra e os que são a favor do impeachment. Desde que a avenida foi ocupada, na quarta-feira, algumas agressões físicas e verbais foram registradas, o que despertou a preocupação das autoridades para eventuais ocorrências mais radicais. Na noite de quinta, manifestantes acampados em frente à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) repetiam que não sairiam dali até que a presidenta Dilma caísse. Davi Amorim, estudante de Moda, comentou que se juntava ao grupo espontaneamente por apoiar o movimento. Afirmou que não temia confrontos com petistas, pois acreditava que a Polícia Militar poderia dividir a avenida entre os dois grupos. “Estamos num país democrático, estamos numa causa que não é só de São Paulo, mas do país inteiro, então vamos ficar aqui e esperamos que mais pessoas venham nos ajudar”, disse ele, que dormiu de quarta para quinta-feira numa das barracas instaladas ali.

O grupo não saía apesar dos apelos dos movimentos que organizaram os principais protestos anti-PT. Marcelo Reis, líder do Revoltados Online, tentou negociar com as pessoas presentes mas foi duramente hostilizado. “Sai fora, petista!”,  “Petista filho da puta, ladrão”, gritaram. Reis precisou sair correndo para se proteger. Garrafas e latas de cervejas foram arremessadas contra ele, que só conseguiu ficar seguro quando encontrou policiais numa base móvel da PM, na avenida. “Não adianta arrumar confronto com o PT, não é isso que nós queremos”, disse ele. “Com o que estão fazendo aqui, os policiais vão contra, são eles que estão errados”, explicou ele ao EL PAÍS. Segundo Reis, são pessoas que defendem intervenção militar.

Com a tensão no ar, organizadores do ato anti-impeachment se reuniram na quinta-feira com o secretário de Segurança Pública Alexandre Moraes, que chegou a ser hostilizado na Paulista horas antes, para pedir que a segurança fosse garantida, assim como ocorreu no ato pró-impeachment do domingo 13. Governistas cogitaram marcar um ato no dia 13 também, mas recuaram em seguida devido à inviabilidade de dois atos antagônicos no mesmo local.

Por meio de nota, a secretaria de Segurança Pública diz que planejou o mesmo esquema de segurança realizado no domingo e que o efetivo policial será o mesmo também, ainda que "segundo os organizadores, estejam sendo esperadas entre 100.000 e 200.000 pessoas". No ato de domingo, segundo o Datafolha, a Paulista recebeu 500.000 manifestantes.  "Como foi explanado, fatos recentes exigem de todos nós, mais do que nunca, bom senso e serenidade. A prioridade máxima da Polícia será garantir a paz e a segurança de todos. Se for necessário, adaptando-se a novas circunstâncias para evitar confrontos".

Lula lá

A presença do ex-presidente Lula na avenida Paulista é a grande expectativa da militância, que convocou o ato tendo a defesa dele como uma das principais pautas. No último dia 4, quando Lula foi levado a depor na Polícia Federal em São Paulo, sua militância reagiu, manifestando-se em frente à casa do ex-presidente e da sede de diversos diretórios do PT. Naquela noite foi marcado o ato desta sexta-feira, como forma de reação, e Lula já era anunciado como presença garantida.

Os 15 dias que se seguiram, porém, foram turbulentos. Um pedido de prisão do ex-presidente foi emitido pelo Ministério Público de São Paulo. Na semana seguinte, o juiz Sergio Moro tornou público diversos grampos telefônicos de conversas de Lula com aliados e inclusive com Dilma Rousseff. No dia seguinte, Lula era empossado como o novo chefe da Casa Civil. O novo ministro, porém, não pode exercer suas funções no cargo, já que uma liminar suspendeu a nomeação do ex-presidente no novo cargo.