Zika Vírus

Estados Unidos se preparam para enfrentar transmissão sexual do zika vírus

Texas confirma que uma pessoa foi infectada depois de manter relações sexuais

Mosquitos Aedes aegypti, transmissores do zika, em um laboratório.
Mosquitos Aedes aegypti, transmissores do zika, em um laboratório.Mario Tama (Getty Images)

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O Centro de Controle e Prevenção de Enfermidades (CDC) “divulgará nos próximos dias recomendações referentes à prevenção da transmissão sexual do zika vírus, com atenção especial para os parceiros sexuais masculinos de mulheres que estejam ou poderiam estar grávidas”, confirmou um porta-voz do CDC ao EL PAÍS por e-mail.

O alerta foi decretado na terça-feira, quando os serviços de saúde locais do Condado de Dallas anunciaram que fora confirmado não apenas o primeiro caso de transmissão local do zika nos Estados Unidos, mas que, além disso, esse contágio se deu por via sexual, que é bem menos frequente do que pela picada do mosquito infectado.

A pessoa infectada, que não havia viajado para fora dos EUA, foi afetada “depois de manter relações sexuais com um indivíduo enfermo que havia retornado de um país onde zika vírus está presente”, concretamente a Venezuela, afirmou o Serviço de Saúde do Condado de Dallas (DCHHA, na sigla em inglês), em comunicado. Essa pessoa foi confirmada depois como sendo o segundo caso de zika em Dallas, embora se trate de um caso importado, tal como os demais registrados até o momento nos Estados Unidos continental.

Tanto as autoridades sanitárias norte-americanas como a Organização Mundial da Saúde (OMS) sabiam da possibilidade de transmissão pela via sexual. Há estudos de pelo menos dois casos possíveis registrados nos últimos anos. Um deles é de 2008, quando um cientista norte-americano voltou do Senegal infectado com o vírus, e sua esposa, que não tinha viajado com ele e com quem manteve relações sexuais na sua chegada, também apresentou sintomas do zika, embora não se tenha chegado a pesquisar a presença do vírus no esperma do paciente. Em 2013, no entanto, foram encontradas, sim, vestígios do vírus em um outro homem do Tahiti, que havia transmitido a doença duas semanas antes de se realizarem os testes.

Em todos os folhetos oficiais sobre a transmissão do zika se menciona a possibilidade da via sexual, assim como da via sanguínea, mas as autoridades continuam a enfatizar que a preocupação principal ainda é a transmissão pela picada do mosquito, que é a mais ampla. Mesmo assim, o caso de Dallas gerou novos alertas.

“Isso precisa ser investigado mais a fundo, para se entenderem as condições em que se dá a transmissão, e com que frequência essa transmissão sexual se torna provável”, afirmou o porta-voz da OMS Gregory Hartl à agência Reuters em Genebra.

O diretor do CDC, Tom Frieden, também apontou para a necessidade de se realizarem mais estudos sobre essa via de transmissão, embora tenha destacado que a prioridade continua sendo o combate ao mosquito que transmite o vírus com sua picada.

“Houve casos isolados de transmissão por meio de transfusões de sangue ou contatos sexuais, e isso não é muito surpreendente”, disse Frieden à rede CNN depois de o caso de Dallas vir a público. “O vírus permanece no sangue em torno de uma semana. Quanto tempo ele permanece no esperma, é algo ainda a ser estudado, e estamos trabalhando nisso agora”, declarou.

Uma recomendação básica relativa a essa via de contágio é o uso de preservativo, o método mais indicado para impedir qualquer infecção transmitida por via sexual, lembraram tanto o CDC quanto as autoridades de Dallas.

“Agora que sabemos que o zika vírus pode ser transmitido pelo sexo, isso nos levará a incrementar nossa campanha de educação da opinião pública sobre como proteger a si mesmo e aos outros”, disse o diretor do DCHHS, Zachary Thompson. “Depois da abstinência, o preservativo é o melhor método de prevenção contra qualquer infecção transmitida por via sexual”, acrescentou ele no comunicado em que anuncia o caso de Dallas.

Enquanto isso, a Cruz Vermelha norte-americana também adotou medidas preventivas no caso de doação de sangue.

Segundo explicou nesta quarta-feira em um comunicado a vice-presidente Susan Stramer, “como forma de precaução”, a Cruz Vermelha começará a “recomendar que os doadores de sangue que tenham viajado ao México, Caribe, América Central ou América do Sul aguardem 28 dias antes de doar sangue”.

Além disso, a Cruz Vermelha pediu que qualquer pessoa que apresente os sintomas do zika até 14 dias depois de ter doado sangue notifique o fato “imediatamente”, para que seu sangue possa ser colocado em quarentena.