'As Sufragistas': metade da humanidade (no mínimo)

'As Sufragistas' é um filme que cospe na nossa cara a vergonha com verdade, raiva e paixão

Cena do filme 'As Sufragistas', que aborda a luta das mulheres por igualdade de direitos no Reino Unido.
Cena do filme 'As Sufragistas', que aborda a luta das mulheres por igualdade de direitos no Reino Unido.Divulgação

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Sarah Gavron é a diretora, Abi Morgan, renomada dramaturga, a roteirista, enquanto um grupo de sensacionais intérpretes, liderada pela sempre perfeita Carey Mulligan, coloca rosto naquelas mulheres com coragem suficiente para enfrentar o pior vilão, e não de quadrinhos: o homem que se acredita superior.

Gavron e Morgan relatam o processo de conversão ideológica e política de uma mulher comum. Comum? Aparentemente comum, porque essas trabalhadoras do ativismo arriscaram tudo até as últimas consequências. Até o martírio, a morte, até perder seus filhos. A imprescindível mão de obra de uma revolução que tinha seus rostos brilhantes, e necessários, em mulheres que passaram para a história por seus discursos, e que claro que se arriscaram, mas precisavam das imprescindíveis ações das que estavam na base.

As Sufragistas

Direção: Sarah Gavron.

Elenco: Carey Mulligan, Ben Whishaw, Anne-Marie Duff, Meryl Streep, Helena Bonham Carter.

Gênero: drama. Reino Unido, 2015.

Duração: 106 minutos

Com excelente produção, música de Alexandre Desplat, fotografia de Eduard Grau de Barcelona, já instalado confortavelmente no cinema internacional, As Sufragistas é mais do que um filme: é a configuração de uma vitória esmagadora. A encenação sem fissuras, mas sem alardes, de Gavron, entre os tons amarelados, de névoa física e tempestade moral da fotografia de Grau, que pode parecer um pouco fria em alguns momentos, mas nunca chega a rachar pela emoção do tema e das situações. Quem não ficar gelado com as imagens documentais no final, é porque tem problemas.