Atentado terrorista em Paris

Bruxelas em alerta máximo por risco de atentado “concreto e iminente”

Bélgica eleva ao máximo o nível de alerta antiterrorista neste fim de semana Turquia prende um suspeito de ter participado dos atentados de Paris

Controle da polícia francesa na rodovia entre Paris e Bruxelas.
Controle da polícia francesa na rodovia entre Paris e Bruxelas.PASCAL ROSSIGNOL (REUTERS)

Bruxelas está em alerta máximo antiterrorista pela a ameaça de um atentado "concreto e iminente", segundo as autoridades, com bombas e explosivos. Na noite de sexta-feira, o Órgão de Coordenação para a Análise de Ameaças (OCAM, na sigla em francês), encarregado de determinar o nível de risco terrorista, elevou o alerta de três (amarelo) para quatro, o máximo possível, na capital da Bélgica. Ao mesmo tempo, as autoridades da Turquia comunicaram a prisão de um cidadão belga de origem marroquina que supostamente participou do planejamento dos atentados de Paris como "olhador" dos lugares atacados.

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Em Bruxelas, uma das medidas é o fechamento total das linhas do metrô e do chamado submetrô, uma linha de bonde subterrânea. "Existe o risco de ataques similares aos de Paris". declarou o primeiro-ministro belga, Charles Michel. O centro da capital está deserto. As lojas da luxuosa Avenida de Luoise, umas das principais artérias da capital, estavam fechadas desde o meio-dia e muitos comércios e restaures do núcleo urbano fecharam "por motivos de segurança", segundo estava escrito nos portões.

“É uma precaução que foi tomada por ordem da polícia”, declarou a porta-voz da MIVB, empresa de transporte da capital, Ann Van Hamme. O nível máximo de alerta traz consigo uma bateria de duras recomendações que basicamente restringem a movimentação pela cidade: evitar lugares movimentados, shows e eventos com multidões, estações de trem e aeroportos, transporte público, shopping centers e ruas comerciais. No sábado, o aeroporto de Zaventem, a nordeste da cidade, amanheceu com longas filas na entrada para passar por um minucioso controle policial. O Governo pretende estender essas medidas pelo menos até a tarde de domingo, segundo a MIVB, que confirma que as linhas de ônibus estão funcionando.

O Governo pretende estender as medidas de segurança até, pelo menos, 15h de domingo, segundo a MIVB, que confirma que as linhas de ônibus estão operativas. A estação Schuman, onde se encontram as instituições europeias, também está fechada, embora nenhum incidente tenha sido informado. O Eurostar -o trem que une o continente europeu com Reino Unido através do Canal da Macha- também continua funcionando ainda que, segundo anunciou a empresa em sua conta de Twitter, oferecem mudanças gratuitas de passagens neste fim de semana devido às medidas excepcionais tomadas no centro de Bruxelas.

O motivo concreto do novo alarme, além da ameaça terrorista, não foi revelado para “não atrapalhar a investigação”. No entanto, um suspeito, Salah Abdeslam, continua foragido desde os ataques da sexta-feira passada em Paris, em que morreram 130 pessoas. Algumas investigações apontam que pode estar escondido em Bruxelas, até mesmo no bairro de Molenbeek, de onde provinham ele e boa parte dos jihadistas que realizaram os atentados na capital francesa. A Procuradoria belga anunciou a detenção de um indivíduo na sexta-feira, cuja identidade ainda não foi comunicada. Ele foi acusado de estar relacionado com grupos terroristas, ainda que não tenha sido especificado se tinha relação com os atentados de Paris.

As medidas criaram certa inquietação nos moradores de Bruxelas, a quem o Governo pediu para não acreditar em rumores e acatar as normas e orientações das forças de segurança, segundo a imprensa local. “Não é necessário ficar em casa, mas é preciso estar alerta e evitar lugares movimentados na medida do possível”, ressalta o Centro de Crise. De acordo com o Centro, era importante divulgar o quanto antes a informação do aumento do alerta de segurança “para que todos estivessem informados já desde a manhã”.

O alerta máximo, o segundo desde 2007, foi decretado em Bruxelas, mas o restante do país continua em nível 3, embora cada localidade possa adotar a mesma medida se considerar necessário. Vilvoodre, ao norte da capital, também elevou seu nível de alerta ao máximo. Segundo o comunicado, a análise realizada demonstra “de fato uma ameaça séria e iminente”, por isso é necessário tomar medidas de segurança específicas, bem como fazer recomendações especiais à população.

Conexão com a Turquia

Vários meios turcos, que citam fontes policiais e judiciais, publicaram neste sábado que as autoridades do país prenderam um cidadão belga de origem marroquina, Ahmed Dagmani, de 26 anos, que supostamente participou do planejamento dos atentados de Paris como "olhador" dos lugares atacados. A detenção ocorreu no início da semana, mas a Turquia apenas tornou o caso público na noite passada quando, após quatro dias de interrogatórios, Dahmani e outros dois suspeitos foram postos a disposição de um juiz, que decretou a prisão deles.

 Dahmani, que segundo o diário turco Sabah era residente do bairro de Molenbeek de Bruxelas, pesquisou para o Estado Islâmico vários lugares da capital francesa uma semana antes dos atentados, como parte da designação dos objetivos. Segundo o mesmo jornal, após os atentados de Paris, Dahmani fugiu para outro país e para depois voar para a cidade turca de Antalya, onde no último fim de semana aconteceu a reunião dos chefes de Estado e de Governo do G20. Tendo em vista a presença dos principais líderes mundiais na cidade, a polícia turca reforçou a segurança da zona e, no aeroporto, foi identificado como suspeito e seguido com um dispositivo de vigilância.

A agência de notícias DHA explica que Dahmani se hospedou em um hotel cinco estrelas da localidade vizinha de Manavgat, na costa mediterrânea turca, onde foi detido no dia 16 pela Polícia. Os agentes também prenderam nesse dia, na estrada e a bordo de um Mercedes com placa da província turca de Kilis, duas pessoas procedentes da Síria —Ahmet Tahir, de 29 anos, e Muhammed Verdy, de 23—, que supostamente foram enviadas pelo EI para garantiz a Dahmani uma passagem segura até o Califado. Um passaporte falso para Dahmani e armas foram encontrados.

Dahmani esteve anteriormente na Síria para receber treinamento do EI, segundo as informações filtradas pela imprensa turca. O Governo francês já pediu a extradição do suspeito.