Operação Zelotes

Zelotes: Polícia Federal investiga lobby no setor automobilístico

PF investiga organizações criminosas que atuavam junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para anular multas aplicadas pela Receita

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta segunda-feira, uma nova fase da Operação Zelotes, que investiga um consórcio de empresas do setor automotivo que negociava incentivos fiscais e promovia a manipulação de multas e julgamentos dentro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O CARF é uma espécie de tribunal que julga as multas aplicadas pela Receita Federal.

Segundo as investigações, os conselheiros do CARF vendiam sentenças para favorecer as empresas interpeladas. Assim, multas e penalidades eram suspensas ou tinham seus julgamentos interrompidos. Além disso, a Polícia Federal investiga também as supostas "compras" de Medidas Provisórias criadas para beneficiar o setor automotivo no Governo Lula.

Uma dessas Medidas é a MP 471 que, em 2010, prorrogou de 2011 a 2015 a política que concedia descontos nos impostos para carros produzidos nas regiões norte, nordeste e centro-oeste do país. A medida deu às montadoras das regiões incentivos de mais de um bilhão de reais ao ano, segundo as investigações.

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Uma das empresas investigadas é a Marcondes & Mautoni Empreendimentos. A empresa, que atua como representante de montadoras e entidades do setor automotivo, fez, em 2011, repasses à LFT Marketing Esportivo, de Luís Claudio da Silva, um dos filhos de Lula. Suspeita-se que os repasses tenham sido parte de lobby para a aprovação das medidas provisórias que beneficiariam o setor.

Luís Claudio afirma que os repasses de 2,4 milhões de reais foram feitos porque sua empresa realizou serviços de marketing esportivo à Marcondes & Mautoni. Não há registro, porém, que a Marcondes & Mautoni tenha alguma relação com o esporte entre as suas atividades econômicas.

Por essa ligação, a Polícia Federal também está fazendo buscas no escritório de Luís Claudio nesta segunda-feira. A PF, porém, não confirma a informação sobre as buscas no escritório do filho de Lula, pois não divulga os nomes dos supostos envolvidos.