Relações exteriores

Em meio à crise, Dilma vai para a Colômbia fortalecer relações

A presidenta visita Bogotá para expandir os laços comerciais entre os dois países

A presidenta Dilma Rousseff faz uma visita de Estado à Colômbia pela primeira vez. Isso acontece em meio a uma crise política, depois de o Tribunal de Contas ter rejeitado as contas públicas do mandato de 2014 e de a justiça eleitoral ter anunciado que investigará o financiamento de sua campanha presidencial, também no ano passado. Decisões que dão asas à oposição para pedir sua destituição. Embora a viagem ao país andino estivesse inicialmente prevista para durar dois dias, uma mudança em sua agenda a reduziu para um só dia, esta sexta-feira, que será concentrada em questões comerciais.

Colômbia é o sétimo sócio comercial do Brasil na região

Na parte da manhã, Dilma receberá honras militares no Palácio de Nariño (sede da presidência da Colômbia) e posteriormente se reunirá com empresários na Câmara de Comércio de Bogotá, instituição que defende os interesses dos empresários e que também atua como órgão assessor e consultivo do Governo. O plano inicial previa que a presidenta visitasse a Corte Suprema de Justiça e o Congresso.

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O embaixador Pablo Estivallet, subsecretário geral para a América do Sul, Central e do Caribe, destacou em recentes declarações no Palácio do Itamaraty (sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil) que embora as relações entre os dois países tenham crescido nos últimos anos, estão abaixo do seu potencial. Espera-se que com essa visita, que tem programada uma declaração conjunta, sejam consolidados assuntos relacionados a investimentos, facilitação do comércio e medidas para acelerar as relações comerciais. “O comércio bilateral passou de 1,5 bilhão de dólares (cerca de 5,7 bilhões de reais) em 2005 para mais de 4 bilhões de dólares no ano passado. A Colômbia é o sétimo parceiro comercial do Brasil na região”, disse Estivallet.

Por seu lado, o Ministério das Relações Exteriores informou que Dilma procura acelerar um acordo para reduzir gradualmente as tarifas de importação a zero. Segundo o órgão, em 2014 o Brasil teve um superávit de 669 milhões de dólares no comércio com a Colômbia, resultado de 2,384 bilhões de dólares de exportações e de importações de 1,716 bilhão de dólares.

Manufaturados

Os produtos brasileiros mais demandados pela Colômbia são os manufaturados, com 92,6%, enquanto as matérias-primas só atingem 2,5%. Embora o tema principal seja comercial, é possível que a questão da paz seja abordada. “A superação (do conflito) não só vai ser muito boa para a Colômbia como também para todos os seus vizinhos, inclusive o Brasil”, disse o embaixador Estivallet.

Os produtos brasileiros mais demandados pela Colômbia são os manufaturados, com 92,6%

A Colômbia também anunciou interesse na experiência do Brasil em sua política de agricultura familiar. Em 2012, os dois países assinaram um acordo de cooperação para fortalecer a segurança alimentar do país e melhorar a renda dos pequenos agricultores locais.

Na América Latina e no Caribe, a agricultura familiar representa mais de 80% das explorações agrícolas. Também responde, em nível nacional, por 27 e 67% da produção de alimentos e gera entre 57% e 77% do emprego agrícola na região, de acordo com o Ministério da Agricultura da Colômbia.

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