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Hillary Clinton diz que atacará Irã se o país descumprir acordo nuclear

Ex-secretária de Estado e candidata diz que sua máxima é “não confiar, além de verificar”

Hillary Clinton.
Hillary Clinton.Andrew Harrer (Bloomberg)

Com uma mudança na máxima de Ronald Reagan, “confiar, mas verificar”, a ex-secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton fez uma contundente defesa do acordo nuclear com o Irã, fechado em julho, nesta quarta-feira, em Washington. O presidente Reagan aplicava esse princípio aos acordos nucleares com a União Soviética. Clinton destacou que, quando se trata do regime dos aiatolás, o melhor é “não confiar e ainda verificar”.

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A favorita à candidatura democrata para 2016 ofereceu um robusto apoio a um acordo que, apesar de não ser perfeito, era necessário para “continuar o caminho da diplomacia”, já que de outra maneira corre-se o risco de enveredar por “uma trilha mais perigosa, que conduz a um futuro incerto e cheio de riscos”. Na opinião de Clinton, o acordo deve ser cumprido ao pé da letra. Do contrário, e em caso de ser eleita presidente em 2016, não duvidaria em recorrer ao uso da força para obrigar Teerã a cumprir com a palavra dada.

“Não hesitarei em tomar ações militares se o Irã tentar produzir uma bomba nuclear”, declarou Clinton em conferência organizada pelo Instituto Brookings, um Think Tank (laboratório de ideias) na capital dos Estados Unidos. O discurso de Clinton é mais agressivo que a do presidente Barack Obama. E chega após dias difíceis para a candidata: sua vantagem nas pesquisas caiu mais de dez pontos, e ela teve que pedir perdão pelo uso indevido de uma conta de e-mail privada quando era secretária de Estado. O caso dos e-mails afetou sua campanha.

Clinton destacou que, quando se trata do regime dos aiatolás, o melhor é “não confiar e ainda verificar”

O discurso coincide com uma semana fundamental para o acordo com o Irã. Democratas e republicanos se mobilizaram. Dois candidatos pelo Partido Republicano, o magnata Donald Trump e o senador Ted Cruz, manifestaram-se contra o acordo ante o Capitólio sob a bandeira do Tea Party. Na opinião de Trump, o povo americano está sendo governado por “gente muito estúpida”. Cruz declarou que as mãos dos que assinaram o acordo ficarão manchadas de sangue se o documento finalmente entrar em vigor.

Os debates começaram no Congresso após o longo recesso do verão boreal e prometem ser animados. A votação está prevista para a próxima semana. A Casa Branca conta com votos suficientes para desativar qualquer tentativa da maioria republicana de bloquear o acordo, mas os republicanos farão todo o barulho possível em época eleitoral.

O magnata Donald Trump e o senador Ted Cruz se manifestaram contra o acordo

A ex-secretária de Estado durante o primeiro mandato de Obama quis deixar claro que não considera o Irã como sócio, mas unicamente como “o objeto do acordo”. O convênio foi fechado no início do verão entre o Irã e seis potências internacionais, dando fim a 35 anos de enfrentamentos entre Washington e Teerã.

Clinton quis também refrescar a memória dos que agora consideram o acordo uma capitulação de Washington ante um regime que ameaça destruir Israel. Afirmou que, quando Obama chegou à Casa Branca e ela assumiu a diplomacia norte-americana, o Irã estava a caminho de obter capacidade nuclear. “Não era realista poder obter um acordo melhor”, disse Clinton, enviando um recado aos que acreditam que isso era possível.

A ex-chefe das relações exteriores dos EUA afirmou que “a diplomacia não é a busca da perfeição, e sim conseguir equilibrar os riscos.” Dito isso, Clinton considerou que o mais perigoso naquele momento, para os EUA e o equilíbrio geopolítico da região, era deixar passar o acordo.

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