Oposição brasileira vai à Venezuela pedir libertação de presos políticos

Comissão com candidato derrotado à presidência, Aécio Neves, deve viajar na quinta

Aécio Neves e Aloysio Nunes em entrevista nesta terça.
Aécio Neves e Aloysio Nunes em entrevista nesta terça.PSDB (George Gianni)

Uma comitiva de senadores brasileiros de oposição, incluindo o ex-candidato à presidência pela oposição, Aécio Neves (PSDB), pretende visitar a Venezuela na próxima quinta-feira para pressionar pela liberdade de políticos de oposição ao Governo Nicolás Maduro que estão presos. O grupo pretende também visitar Leopoldo López, o principal dos oposicionistas, detido há mais de um ano, e que está em greve de fome.

Além de López, também está preso o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma. Eles são acusados de conspirar contra o Governo de Maduro, mas seus advogados alegam que nenhuma prova concreta foi apresentada no processo. Eles teriam assinado um manifesto contra o presidente, que vem sendo usado pela promotoria como principal evidência dos crimes. Contra López pesa ainda a acusação de ter ajudado a inflamar os violentos protestos contra o Governo em 2014, que terminaram com dezenas de mortos.

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“Vamos cumprir uma missão de caráter até mesmo humanitário, para reforçar uma pressão que é hoje do mundo, a favor da liberdade imediata e incondicional dos presos políticos. Vamos fazer coro a várias nações democráticas ou a lideranças de vários países do mundo já que o governo brasileiro tem sido absolutamente omisso nessa questão”, afirmou Neves à imprensa nesta terça-feira.

O senador Aloysio Nunes (PSDB), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, afirmou que solicitou ao ministro da Defesa Jacques Wagner uma aeronave da Força Aérea Brasileira para transportar a comitiva, por ela ser uma delegação oficial do país. A solicitação foi encaminhada às autoridades venezuelanas e, segundo Neves, a autorização foi dada na tarde desta terça, de acordo com informações dadas a ele por Wagner.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, também tucano, já havia se posicionado em defesa dos presos, em conjunto como o ex-presidente do Governo (primeiro-ministro) espanhol Felipe González, que esteve na Venezuela na semana passada, mas foi proibido de ver López. González foi recebido por protestos de chavistas em diversas cidades, que foram transmitidos pela televisão estatal do país e descritos como “concentrações patrióticas”. A comitiva do ex-presidente foi escoltada pela Sebin, a polícia política venezuelana, e pela Polícia Nacional Bolivariana.

Neves afirmou que está em contato com a ex-deputada oposicionista María Corina Machado e que o grupo pretende fazer uma “manifestação pacífica” em favor da libertação dos presos e pela definição de data para as eleições parlamentares venezuelanas -Maduro já manifestou a intenção de convocar eleições para o próximo semestre, mas ainda não há data. “Cumpriremos, portanto, um papel que o Governo federal, ao longo desses últimos anos, não vem cumprindo”, disse ele.

O Governo de Dilma Rousseff (PT), assim como o de outros países vizinhos, não se manifesta incisivamente sobre o assunto, mas, em abril, durante uma entrevista dada ao canal CNN en Español, defendeu a liberação dos presos, apesar de ressaltar que não pode interferir em “temas internos da Venezuela”. Em maio, ela não recebeu as mulheres dos dois presos, Lilian Tintori e Mitzy de Ledezma, que estiveram em Brasília na esperança de encontrá-la. Elas receberam uma carta da presidenta, em que Dilma elogiava a iniciativa das duas, e afirmava buscar “incansavelmente uma solução para a crise política da Venezuela, dentro do mais absoluto respeito ao Estado democrático.