Venezuela

Felipe González chega a Caracas para defender opositores presos

Dezenas de meios de comunicação esperam chegada do ex-primeiro-ministro espanhol

Mulher do opositor abraça Felipe González no aeroporto.
Mulher do opositor abraça Felipe González no aeroporto.JAVIER LAFUENTE

O ex-primeiro-ministro da Espanha Felipe González aterrissou pouco depois das 11h30 deste domingo (13h em Brasília) em Caracas, capital da Venezuela, vindo de Bogotá, na Colômbia, para participar da defesa dos opositores venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estão presos. Dezenas de meios de comunicação aguardavam a chegada de Gozález ao aeroporto. Ali, entre aplausos, ele foi recebido pela irmã e pela mulher de Leopoldo López, e pela esposa de Ledezma, Mitzy Capriles, assim como pelo embaixador da Espanha na Venezuela, Antonio López Hernández. Felipe González foi escoltado em uma caravana de 15 veículos pelo Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), pela polícia nacional bolivariana e por membros da segurança da embaixada e de sua segurança particular. Em seguida, dirigiu-se à casa de Antonieta López, mãe do líder opositor preso, onde se reuniu com o advogado de Leopoldo López, Juan Carlos Gutiérrez, com a irmã de López e com Mitzy Capriles para tratar de assuntos da defesa dos prisioneiros políticos.

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A chegada do ex-premiê espanhol ocorre mais de dois meses depois de ter aceito se incorporar à defesa dos dois principais presos do Governo chavista, a pedido das famílias de López e Ledezma. Os dois agora estão detidos na penitenciária militar de Ramo Verde, na periferia de Caracas.

Leopoldo López está preso desde fevereiro de 2014, acusado pelo Governo de Nicolás Maduro de instigar os protestos que, naquele mês, resultaram na morte de 43 pessoas. Ledezma, prefeito metropolitano de Caracas, foi detido em fevereiro passado por agentes do Sebin. López, líder do partido Vontade Popular, começou uma greve de fome em 24 de maio para pedir uma data para as eleições parlamentares, previstas para este ano, e a libertação dos presos políticos. Um deles, Daniel Ceballos, o número 3 de seu partido, já completou mais de duas semanas sem ingerir alimentos. A oposição e seus familiares temem por sua vida.

O ex-premiê espanhol teve de atrasar sua viagem a Caracas há duas semanas, quando o Governo de Maduro adiou a audiência do julgamento de Leopoldo López, a que González pretende assistir. Enquanto o lado chavista tem insistido que a lei venezuelana não permite a participação do socialista espanhol na defesa dos opositores presos, os advogados e familiares destes afirmaram que o papel de González será de assessor externo, e não de advogado litigante em nenhum caso. O ex-premiê teria a previsão de participar de uma das audiências do julgamento de López, a princípio nesta quarta-feira, além de tentar visitar os dois prisioneiros na penitenciária de Ramo Verde. O Governo venezuelano já impediu a entrada na prisão de outros ex-presidentes, como o colombiano Andrés Pastrana, em duas ocasiões, o chileno Sebastián Piñera e o boliviano Tuto Quiroga.

Felipe González chega a Caracas. J.LAFUENTE

O ex-premiê, que mantém uma estreita relação com a Venezuela há décadas, tem insistido em dizer que, caso o Governo de Maduro não o deixasse entrar no país, “não provocaria um escândalo”. Na última quinta-feira, em um ato em Bogotá junto com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, ao agradecer a cidadania colombiana que lhe foi outorgada recentemente, afirmou: “De boa fé, o único que aspiro é me sentir igualmente cômodo em um país irmão como a Venezuela”.

Desde o momento que foi divulgada a decisão de González de participar na defesa dos opositores, o Governo de Maduro se lançou em uma campanha para desacreditar o ex-premiê espanhol, a quem o Parlamento venezuelano declarou como persona non grata. Nos últimos dias, importantes dirigentes chavistas, como Jorge Rodríguez, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), governista, convocaram seus simpatizantes a protestar contra a chegada de González em lugares emblemáticos de cada cidade do país, neste domingo.

A decisão de González de participar na defesa de López e Ledezma atraiu a atenção internacional. O presidente colombiano foi o último a apoiar González publicamente. “Tomara que o escutem, espero que sua viagem seja bem-sucedida. É o que queremos para a Venezuela”, afirmou Santos na quinta-feira, o mesmo dia em que o Clube de Madri, composto por 107 ex-chefes de Estado e de Governo de mais de 70 países, enviou uma carta ao papa Francisco pedindo para que ele aja como mediador pelos opositores presos. O papa tinha previsto se reunir neste domingo com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas este cancelou sua visita ao Vaticano na última hora, alegando ter contraído um vírus.