Venezuela adia a audiência de López para impedir viagem de González

Ex-presidente do Governo espanhol acompanharia processo na segunda-feira

Felipe González faz declarações em Washington.
Felipe González faz declarações em Washington. (EL PAÍS)

O ex-presidente do Governo espanhol Felipe González se viu obrigado a adiar sua viagem à Venezuela, programada para segunda-feira pela manhã, por causa da decisão do Governo de Nicolás Maduro de retardar a audiência do julgamento de Leopoldo López, um dos líderes oposicionistas presos que contam com a participação do dirigente socialista espanhol em sua defesa. González tinha a intenção de permanecer em Caracas até 21 de maio para assistir à audiência pública de López na condição de assessor técnico da defesa e, no caso de as autoridades venezuelanas o proibirem de exercer essa função, estar presente como ouvinte. O desejo do dirigente é regressar ao país sul-americano quando forem divulgadas as novas datas da audiência.

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Com essa manobra, o Governo chavista evita a chegada de González, cuja iniciativa de libertar os presos políticos atraiu a atenção internacional para a situação na Venezuela. O dirigente espanhol, no entanto, havia alertado que, se Maduro o impedisse de viajar ao país, “não provocaria um escândalo”. Em janeiro, as autoridades venezuelanas impediram os ex-presidentes da Colômbia e do Chile, Andrés Pastrana e Sebastián Piñera, respectivamente, de visitar López no presídio militar de Ramo Verde, onde o líder oposicionista está detido há um ano e três meses.

O ex-primeiro-ministro espanhol havia comunicado sua intenção de visitar a Venezuela e as razões de sua viagem ao Executivo de Maduro, que lhe respondeu que “não o considera bem-vindo”. “O Governo da República Bolivariana da Venezuela não lhe prestará apoio nenhum, ficando sob sua absoluta responsabilidade as ações que realizar, as quais, sem dúvida, podem ser qualificadas como um evidente ato inamistoso que busca gerar uma matriz de opinião contrária ao país”, afirma em sua contestação.

A Assembleia Nacional da Venezuela já havia declarado González persona non grata depois de ele anunciar que participaria da defesa de López e do prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que também está preso. Altos funcionários da administração chavista se manifestaram ao longo das últimas semanas contra a presença do ex-secretário-geral do PSOE no país. “Se vem ao país para trabalhar, precisa de um visto de trabalho”, advertiu a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz. Na mesma linha se pronunciaram o defensor público, Tareck William Saab, e a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez.

A decisão do ex-presidente de Governo de intervir para conseguir a libertação dos presos políticos venezuelanos foi muito bem recebida pela oposição e obteve o apoio de líderes latino-americanos como Ricardo Lagos, Fernando Henrique Cardoso, Julio María Sanguinetti, Andrés Pastrana, Jorge Quiroga e Eduardo Frei. González compareceu na quinta-feira em Washington à entrega do prêmio Democracia, da Fundação Nacional da Democracia, para López e Ledezma. As honrarias foram recebidas por suas respectivas esposas, Lilian Tintori e Mitzy Capriles. No evento González defendeu a necessidade de abrir um espaço de diálogo entre o Governo da Venezuela e a oposição.

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