Promotora diz que González não pode defender oposicionistas venezuelanos

Díaz alerta que as leis impedem o ex-chefe do governo espanhol de participar do processo

O ex-chefe do Governo espanhol Felipe González em janeiro.
O ex-chefe do Governo espanhol Felipe González em janeiro.

A promotora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, assegurou no domingo que o ex-chefe do governo Felipe González não pode incorporar-se à defesa do oposicionista venezuelano Leopoldo López, que está sendo julgado como o principal incentivador dos protestos ocorridos entre fevereiro e junho de 2014 contra o regime de Nicolás Maduro.

A postura de Ortega Díaz, cujo gabinete responde às ordens do Executivo venezuelano, vem da interpretação do Código Orgânico Processual Penal (COOP) e a Lei do Exercício das Profissões no país. “Não é possível que venham pessoas do exterior como consultores técnicos para a defesa de um detido. Não é possível porque não cabe na ordem jurídica”, reiterou em um programa de televisão local de Caracas. Em todo caso, essa postura choca-se com a interpretação dos representantes legais de López e do próprio González, que comentou que a ordem jurídica vigente faculta aos defensores a incorporação na equipe de assessores técnicos não importando a nacionalidade.

No sábado Maduro deu um passo atrás em sua polêmica com a Espanha ao procurar uma saída para a normalização das relações diplomáticas, afetadas pelas acusações feitas por Caracas sobre a suposta intervenção de Madri nos assuntos internos da Venezuela. “Aqui está minha mão, Rajoy”, disse o presidente venezuelano, com o olhar posto na futura reunião entre os países da América Latina e Europa. O chefe de Estado venezuelano recebeu bem as declarações da vice-presidente Soraya Sáenz de Santamaría, que assegurou na sexta-feira que Madri está disposta a dialogar com Caracas sobre a base do respeito mútuo e à margem das profundas diferenças que mantêm.

Mais informações

O presidente do Governo da Espanha recebeu as esposas dos oposicionistas venezuelanos Leopoldo López e Antonio Ledezma, um gesto que não caiu nada bem em Caracas. O apoio da maioria dos deputados espanhóis à causa de ambos terminou por quebrar as já precárias relações entre os dois países. Desde a semana passada o representante de Madri em Caracas, José Antonio Pérez Hernández y Torra, retornou à Espanha chamado para consultas pela chancelaria.

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