crise na venezuela

“Dilma é sensível para questões de direitos humanos e prisão injusta”

No Brasil, mulheres de políticos venezuelanos presos se reúnem com FHC e irão a Brasília

Tintori e Mitzy com Fernando Henrique.
Tintori e Mitzy com Fernando Henrique.Reprodução/Twitter

“Sabemos que a presidenta [Dilma Rousseff] é sensível para a questão dos direitos humanos, das torturas e da prisão injusta... [Temas] Que ela conhece tão bem”. As palavras de Lilian Tintori, mulher do opositor venezuelano Leopoldo López, líder do partido Vontade Popular e preso há um ano e três meses acusado de tentativa de golpe por Nicolás Maduro, remetem ao passado da petista, detida e torturada durante a ditadura militar. Tintori e Mitzy de Ledezma, mulher do prefeito de Caracas Antonio Ledezma, preso em fevereiro deste ano, estão no Brasil para chamar atenção para o caso. Para isso, contam com o apoio de políticos do PSDB, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador paulista, Geraldo Alckmin, com quem se encontraram nesta terça-feira, e com os holofotes que esperam atrair em Brasília. Na quinta, falarão na Comissão de Relações Exteriores do Senado,  em audiência pública quinta. É lá que esperam que deputados da oposição as ajudem a constranger o Governo Dilma, a quem julgam estar fazendo menos do que pode para libertar seus maridos.

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Os dois políticos presos são acusados de conspirar contra o Governo de Maduro, no entanto seus advogados alegam que nenhuma prova concreta foi apresentada no processo, e que as prisões são arbitrárias. Eles teriam assinado um manifesto contra o presidente, que vem sendo usado pela promotoria como principal evidência dos crimes. Contra López pesa ainda a acusação de ter ajudado a inflamar os violentos protestos contra o Governo em 2014, que terminaram com dezenas de mortos. A ONU e vários líderes – como o vice-presidente americano Joe Biden – defendem a libertação dos políticos: de acordo com Tintori, atualmente existem “98 presos políticos” em seu país. “Eles estão detidos por pensar diferente do regime de Maduro. Querem eliminar a oposição. Não podemos ter democracia sem oposição”, afirmou após encontro com o governador Alckmin, que as chamou de “guerreiras”. Mais cedo, as duas se reuniram com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

FHC se uniu à iniciativa do ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González de defender os políticos presos venezuelanos. González prepara viagem para Caracas em 17 de maio, e o ex-presidente tucano estuda acompanhá-lo. O PSDB tem condenado abertamente o Governo de Maduro pelas prisões e acusa o Governo Dilma de ser omisso no caso. O PT tem cerrado filas ao lado dos chavistas, enquanto o Itamaraty e o Planalto têm feito críticas veladas, mas insistem que a mediação por meio da Unasul está funcionando para baixar as tensões. A declaração do Governo brasileiro mais comemorada pelos críticos de Maduro veio da própria presidenta, durante a Cúpula das Américas, em abril: “Não pensamos que a melhor relação com a oposição seja prender quem quer que seja”, afirmou Dilma em entrevista à CNN.

As duas seguem amanhã para Brasília, onde devem ser recebidas pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além de participar da audiência na Comissão de Relações Exteriores. Elas esperam ainda conseguir uma audiência com Dilma. “Esperamos ser recebidas por todos que respeitam os Direitos Humanos, a democracia e a liberdade”, afirmou Tintori. A mulher de López, no entanto, fez questão de elogiar a postura de Dilma com relação às prisões no país: “Agradecemos enormemente as palavras que pronunciou a presidenta [Dilma Rousseff] na Cúpula das Américas. Ela pediu a libertação dos presos políticos na Venezuela".

Em seu discurso após o encontro, Alckmin afirmou que “a democracia é um compromisso de todos nós, aliás no Mercosul há uma cláusula que é a cláusula democrática. Para integrar o Mercosul há que ter o compromisso com o exercício da democracia, e não há democracia sem contraditório”. A Venezuela ingressou no bloco econômico apenas em 2012. No Senado brasileiro, que teve que ratificar a inclusão do novo país-membro, o PSDB votou contra.

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