A nova maioria republicana perde sua primeira disputa com Obama

A Câmara de Deputados vota um orçamento anual para o departamento de segurança

Boehner, esta terça-feira no Capitólio.
Boehner, esta terça-feira no Capitólio.JONATHAN ERNST (REUTERS)

O Partido Republicano perdeu a primeira disputa com o presidente democrata Barack Obama depois de recuperar, em janeiro, a maioria no Congresso. John Boehner, presidente da Câmara de Deputados e líder republicano no Congresso, concedeu esta terça-feira uma vitória a seus rivais democratas na disputa sobre o orçamento do Departamento de Segurança Nacional (DHS) dos Estados Unidos. A derrota coloca sob suspeita sua liderança e capacidade de controlar seus congressistas mais radicais.

Boehner permitiu que acontecesse nesta terça-feira o que havia rechaçado na sexta: que a Câmara, de maioria republicana, fizesse como o Senado, com maioria do mesmo partido, e votasse um orçamento anual do DHS sem cláusulas para abortar as medidas unilaterais em imigração do presidente Obama. A Câmara aprovou o orçamento do departamento até setembro, quando acaba o exercício fiscal. Depois de aprovada na semana passada pelo Senado, entrará em vigor quando Obama assinar.

A imagem de desunião dos republicanos coloca sob suspeita a promessa, depois das eleições de novembro na qual conquistaram a maioria do Congresso, de que seriam um partido sério de governo

A decisão de Boehner foi aplaudida pelos democratas, mas repudiada pela maioria de seus companheiros de partido. Votaram contra o orçamento do DHS cerca de 2/3 da bancada republicana, mas ela contou com o apoio unânime dos democratas.

Boehner optou pelo pragmatismo. “Estou tão frustrado quanto vocês pelas ações inconstitucionais deste presidente”, disse antes da votação, em um encontro com representantes republicanos. Boehner se referia às medidas migratórias anunciadas por Obama em novembro sem passar pelo Congresso e que atualmente estão paralisadas pela justiça.

“Acho que esta decisão, considerando onde estamos, é a correta para esta equipe e para o país”, acrescentou sobre a proposta de orçamento anual, segundo pessoas presentes na reunião citadas pelo jornal Político.

Boehner sofreu uma humilhante derrota na sexta-feira quando sua proposta de três semanas do DHS, no lugar de uma anual, não avançou na Câmara pelo rechaço do setor republicano mais beligerante (favorável a deixar o departamento sem dinheiro) e de toda a bancada democrata (contrária a remendos temporários).

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O congressista de Ohio procurava ganhar tempo: evitar que a instituição encarregada de vigiar as fronteiras norte-americanas e da luta antiterrorista ficasse sem fundos – o que teria ocorrido sem um orçamento aprovado à meia-noite de sexta-feira – enquanto tentava manter a pressão contra as medidas migratórias de Obama.

Depois desse fracasso, conseguiu uma prorrogação de uma semana. E nesta terça-feira deu a batalha por perdida. A crise está resolvida. Não existe risco de um fechamento parcial do Governo, como ocorreu em 2013. Mas a imagem de desunião dos republicanos coloca em dúvida a promessa, depois das eleições legislativas de novembro na qual conquistaram a maioria do Congresso, de que seriam um partido sério de governo e deixariam de legislar de crise em crise depois de quatro anos de paralisia no Capitólio.

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