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Centenas de túmulos são profanados em um cemitério judaico na França

Pelo menos metade das 400 sepulturas do local foram afetadas pelo ataque

Um dos túmulos violados.
Um dos túmulos violados. AFP

Centenas de sepulturas do cemitério judaico da localidade de Sarre-Union, na Alsácia, foram profanadas nos últimos dias, apenas cinco semanas depois dos ataques jihadistas em Paris, que custaram a vida de 17 pessoas, entre elas quatro judeus em um hipermercado. O presidente francês, François Hollande, qualificou o ocorrido de “ato odioso e bárbaro”. “Um ato ignóbil, antissemita” e “um insulto à memória”, afirmou seu primeiro-ministro, Manuel Valls. Para o titular do Ministério do Interior, Bernard Cazeneuve, é um “ato de ódio”. Ao longo do ano passado, foram registrados 851 atos antissemitas na França, contra 423 em 2013.

Pelo menos a metade das 400 sepulturas foram danificadas pelo ataque, que aconteceu em algum momento entre quinta-feira e domingo, segundo a polícia. O cemitério judaico de Sarre-Union, construído no século XVIII, já foi alvo de ataques antissemitas no passado. Um dos mais alarmantes ocorreu em 2001, quando quatro menores entre 13 e 15 anos destruíram 54 túmulos. A localidade tem 3.250 habitantes. Seu prefeito é Marc Séné, da União por um Movimento Popular (UMP).

Hollande afirmou que a “França está decidida a lutar sem descanso contra o antissemitismo”. “A República não tolerará essa nova ferida que assassina os valores compartilhados por todos os franceses”, acrescentou Cazeneuve. “Nenhuma violência, nenhuma manifestação de falta de respeito e ódio inspirado em qualquer forma de racismo ou intolerância religiosa romperá nossa indestrutível vontade de conviver.”

O lugar foi visitado na tarde de domingo pelo gran rabino de Estrasburgo e do Baixo Reno, René Gutman, acompanhado do governador da região, Stéphan Bouillon. Depois da visita, destacaram que mais de cem lápides antigas foram derrubadas e que a maioria está quebrada. Outros túmulos mais recentes também foram profanados.

Na França vivem hoje 550.000 judeus. Todo ano, uma média de 4.000 decidem sair do país para se instalar em Israel, em muitos casos porque dizem se sentir inseguros. Em 2014, o número chegou a 7.231 e espera-se que este ano o número seja ainda mais elevado.

Depois dos atentados de janeiro, as 300 sinagogas existentes na França e as escolas judaicas são protegidas por militares 24 horas por dia.