O autor dos ataques de Copenhague era um dinamarquês de 22 anos

O homem matou duas pessoas em dois ataques e foi morto de madrugada pela polícia

Carlos Yárnoz|Agências
Paris / Copenhague - 15 feb 2015 - 12:47 UTC
Policial é levado em uma ambulância após o ataque.
Policial é levado em uma ambulância após o ataque.Lars Ronbog / Getty Images

A Dinamarca viveu horas de terror. A polícia de Copenhague matou o suposto autor dos dois atentados ocorridos ao longo do sábado na capital dinamarquesa, os quais deixaram dois mortos e cinco feridos. “Certificamos que é o mesmo responsável que está por trás de ambos incidentes e também garantimos que o suspeito abatido pela polícia na estação de Norreport é a pessoa responsável por esses assassinatos”, explicou o inspetor chefe Torben Molgaard Jensen em uma coletiva de imprensa. O agressor, segundo a polícia, era Omar El-Hussein, um cidadão dinamarquês de 22 anos.

As forças policiais ainda mantém uma operação policial em curso em um cibercafé de Norrebro, o bairro onde o agressor foi preso. Os veículos de imprensa dinamarqueses falam de que há várias pessoas detidas.

O homem já era conhecido pelos serviços de inteligência dinamarqueses "por atividades criminosas relacionadas com violações das leis de armas e atos violentos". As autoridades acreditam que ele,  provavelmente, atuava só. Suas motivações não foram informadas. Trabalha-se com a tese de que ele agiu inspirado nos atentados jihadistas de Paris ocorridos há cinco semanas --o primeiro contra a sede da revista satírica Charlie Hebdo e o segundo contra um supermercado judeu-- nos quais 17 pessoas foram assassinadas.

O suspeito foi morto na madrugada do domingo no bairro de Norrebro, perto dos locais atacados durante o sábado. Jensen disse não haver indícios sobre a participação de cúmplices nos atentados, que tiveram como alvo um debate sobre a liberdade de expressão e uma sinagoga.

Tudo começou no meio da tarde de sábado (manhã no Brasil), no centro cultural de Krudttonden, na zona norte da capital dinamarquesa, onde acontecia um debate sobre a liberdade de expressão e a blasfêmia, com uma homenagem à revista satírica francesa Charlie Hebdo. O desenhista sueco Lars Vilks, autor de caricaturas que representavam Maomé, e o embaixador da França na Dinamarca, François Zimeray, participavam no evento. Segundo testemunhas, um indivíduo disparou entre 20 e 40 tiros através das janelas do café do centro cultural, antes de fugir num carro escuro.

Rapidamente, a polícia difundiu uma foto borrada do suspeito. Tratava-se de um homem de 25 a 30 anos, porte atlético, 1,80 metro de altura e “traços árabes”. O homem usava uma arma automática e cobria o pescoço e parte do rosto com um lenço palestino amarelo, laranja e vermelho.

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Representantes de ONGs e jornalistas participavam do evento no centro cultural, segundo o embaixador francês – que saiu ileso do ataque, assim como Lars Vilks. Um dos feridos graves é um policial, e os outros dois são seguranças que estavam no lado de fora do centro cultural. O debate, intitulado A arte, a blasfêmia e a liberdade de expressão, havia sido promovido pelo Comitê Lars Vilks, uma organização de apoio ao cartunista. O desenhista, segundo os organizadores, havia escolhido a data do evento porque foi num 14 de fevereiro que autoridades iranianas expediram a fatwa (decreto religioso) que contra o escritor britânico Salman Rushdie por causa do seu romance Os Versos Satânicos.

O desenhista Vilks, de 68 anos, supostamente o alvo principal do terrorista, ficou mundialmente conhecido em 2007 por publicar uma caricatura em que Maomé era representado como um cachorro. Ele recebeu inúmeras ameaças de morte, e desde então anda com escolta policial. Dias atrás, o artista revelou que depois do atentado contra o Charlie Hebdo (publicação premiada pelo Comitê Lars Vilks em 2014) os convites que ele recebe para participar de conferências e eventos públicos se reduziram. Uma das organizadoras do evento de sábado, a jornalista Helle Merete Brix, disse que o autor do ataque aparentemente tinha mesmo a intenção de atingir Vilks, mas que o artista foi protegido por seu guarda-costas durante o ataque.

Horas depois, em plena busca policial, o mesmo homem protagonizou um segundo atentado, segundo a polícia. Disparou na rua Krystalgade, perto da sinagoga mais importante da capital dinamarquesa, e matou um homem com vários tiros na cabeça. Dois policiais ficaram feridos. O agressor fugiu a pé, enquanto as autoridades mobilizavam uma gigantesca operação que levou à desocupação da principal estação ferroviária da Dinamarca, no centro da cidade. O homem, segundo a polícia, foi localizado perto dali, abriu fogo e foi baleado e morto antes de ser detido.

A polícia procura um homem "entre 23 e 25 anos" e "porte atlético"

EUROPA PRESS

A polícia dinamarquesa publicou uma imagem do suspeito do ataque contra o debate sobre blasfêmia e liberdade de expressão em Copenhague. Ele foi descrito como um homem "entre 25 e 30 anos" e de "aparência árabe".

Além disso, as forças de segurança reduziram a um o número de suspeitos do ataque, após contrastar a informação proporcionada por várias testemunhas do crime, que acabou com a morte de uma pessoa e três policiais feridos.

A descrição da polícia indica que se trata de um homem de pele clara e de 1,82 de altura com "porte atlético". Segundo o comunicado, o indivíduo levava coberta parte da cara com um lenço quando abriu fogo com uma metralhadora.

A vítima do ataque à sinagoga é Dan Uzan, 37 anos, um conhecido membro da comunidade judaica local, que estava como sentinela no lado de fora durante uma celebração religiosa com cerca de 80 pessoas, segundo a Sociedade Judaica da Dinamarca. A sinagoga estava sob proteção policial por causa do primeiro atentado do sábado – por isso havia dois policiais entre os feridos.

O ataque de Copenhague acontece cinco semanas depois dos atentados jihadistas de Paris, onde três terroristas assassinaram 17 pessoas entre os dias 7 e 9 de janeiro. O primeiro dos ataques ocorreu na manhã do dia 7 na sede do Charlie Hebdo, onde os irmãos Said e Chérif Kouachi mataram 12 pessoas, sendo oito jornalistas do semanário – que já havia sofrido ameaças e atentados n0s últimos anos por ter publicado caricaturas de Maomé.

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