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Ataque a sede de semanário francês em Paris mata ao menos 12 a tiros

O mais jovem dos suspeitos se entregou à polícia

Jornal já havia sofrido um ataque em 2011

Stéphane Charbonnier, o diretor da revista que vivia sob escolta, está entre os mortos

Atentado terrorista deixa 12 mortos em revista.

Doze pessoas morreram e quatro correm risco de morte em consequência do ataque com fuzis automáticos ocorrido na manhã de quarta-feira contra a sede da revista semanária satírica Charlie Hebdo, em Paris. No atentado, um dos mais graves da história da França, participaram três homens. Dois deles entraram no jornal vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis Kalashnikov ao grito de "Alahu al akbar" ("Deus é grande").

A polícia francesa já identificou os supostos autores do atentado, informa Alfonso L. Congostrina. Dois dos três supostos terroristas seriam irmãos de nacionalidade francesa (Saïd e Chérif Kouachi, de 34 e 32 anos). Eles já vinham sendo investigados por suspeita de ligação com grupos terroristas. O terceiro homem é Hamyd M, de apenas 18 anos.

Até a manhã desta quinta-feira, ao menos sete pessoas supostamente envolvidas no caso haviam sido detidas. De acordo com informações da agência Reuters, os irmãos Kouachi foram localizados pela manhã, mas ainda não haviam sido presos. Na noite de quarta-feira, por volta das 23h (no horário local), o mais jovem dos três homens procurados se entregou à polícia, na delegacia de Charleville-Mézières, na região de Ardennes, depois de comprovar que seu nome circulava nas redes sociais, segundo informou a agência France Presse. O jovem é suspeito de ter ajudado os dois irmãos. Paralelamente, a polícia francesa já interrogou várias pessoas relacionadas aos três terroristas.

O ataque ocorreu pouco depois das 11h (8h, no horário de Brasília). Os dois terroristas já entraram atirando no hall do jornal. Durante mais de dez minutos, os agressores efetuaram pelo menos 30 disparos contra os jornalistas e funcionários da publicação. Em alguns momentos, segundo uma testemunha citada por vários veículos da França, eles gritavam os nomes de jornalistas. Dezenas de funcionários refugiaram-se na terraço do edifício, situado no bulevar Richard Lenoir, no 11º distrito da capital francesa.

O último tuíte da revista é uma caricatura do Estado Islâmico.

Entre os mortos está o diretor da revista, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, e os cartunistas Georges Wolinski (um dos mais famosos desenhistas do mundo, símbolo de maio de 1968), Jean Cabut e Tignous. Também foi confirmada a morte do economista e colunista Bernard Maris, membro do Conselho Geral do Branco da França. Morreram também dois policiais, um deles identificado como Franck D. (assassinado dentro da redação), e Ahmed Merabet, morto na rua, e Michel Renaud, um visitante que estava no jornal naquele momento.

Charb dirigia a revista desde 2009 e vivia sob escolta policial desde 2011, ano em que a editora sofreu um ataque. Tanto ele quanto outros funcionários do semanário recebiam ameaças constantes. A última capa da Charlie Hebdo foi dedicada ao livro Soumission (Submissão,em português), de Michel Houellebecq, que descreve o futuro da França caso o presidente fosse muçulmano.

O presidente francês visitou o local pouco após o atentado. "É um ato excepcional de barbárie”, declarou François Hollande, acompanhado do ministro do Interior, Bernard Cazaneuve. O chefe de Estado convocou uma reunião extraordinária do Governo, que elevou ao nível máximo o alerta antiterrorista. A segurança foi reforçada em veículos de imprensa, grandes estabelecimentos comerciais e no transporte público.

O Charlie Hebdo estava especialmente protegido porque já havia sido alvo de ameaças e ataques menores nos últimos anos, especialmente por ter publicado, em 2006, caricaturas do profeta Maomé. Em 2011, foi atacado com coquetéis molotov e teve de fechar seus escritórios durante várias semanas.

O último tuíte publicado pela revista é uma caricatura do autoproclamado chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr al Baghdadi, acompanhado do comentário “meilleurs voeux” (boas festas).

A França está em alerta antiterrorista desde que iniciou sua participação nos bombardeios contra o Estado Islâmico no Iraque em setembro passado. Pelo menos 1.200 militares participam do dispositivo de alerta. Porta-vozes do EI pediram em diversos vídeos que os franceses sejam atacados em qualquer lugar do mundo.

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