CRISE HÍDRICA

Por crise hídrica, Alckmin recorre a Dilma e nega prazo para rodízio

Governador foi a Brasília celebrar verba federal para obra que reforça o abastecimento

Alckmin, Mercadante e Dilma em Brasília.
Alckmin, Mercadante e Dilma em Brasília.J. C. (Agência Brasil)

Em um gesto político, o governador oposicionista de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi a Brasília pedir ajudapara a crise hídrica ao governo Dilma Rousseff (PT) nesta sexta-feira. Em respostas a jornalistas, Alckmin negou que haja um prazo para que a cidade de São Paulo inicie rodízio severo do fornecimento de água.

A possibilidade de restrição de água, com cinco dias sem abastecimento por semana, foi aventada pela Sabesp no começo da semana. “Não há uma decisão tomada ainda. É um problema que Sabesp está monitorando diariamente”, disse Alckmin, sentado ao lado dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Izabela Teixeira (Meio Ambiente).

A credibilidade das declarações de Alckmin sobre a crise mais severa de abastecimento de água em um século estão à prova desde que o governo estadual mudou radicalmente o discurso sobre o tema. Até novembro, o governador insistia que não faltaria água no Estado.

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Nesta sexta, Alckmin disse que só uma situação “extrema” faria o governo começar a usar o terceiro volume morto – o nome dado à reserva técnica do reservatório – do Cantareira, o principal sistema de abastecimento da Grande São Paulo. O governador, no entanto, já havia dito o mesmo sobre o segundo volume morto: que ele não seria usado. A segunda reserva técnica está atualmente em 5% de sua capacidade e é para evitar que ela seque totalmente é que se espera que São Paulo tenha de se submeter ao rodízio.

Trégua

Dilma e o seu oponente na campanha presidencial, Aécio Neves, do mesmo partido de Alckmin, trocaram farpas e acusações sobre a crise da água. A petista acusou o governo tucano de São Paulo de mentir para a população sobre a situação. Desde o fim da disputa, no entanto, o panorama mudou. Ao governo federal interessa oferecer ajuda a São Paulo para amenizar a crise, que pode se juntar ao mau humor da população pela estagnação econômica, e por equidade de tratamento com Minas Gerais e Rio de Janeiro, com governos aliados do petismo, também atingidos com o alastramento da crise hídrica no Sudeste. Na quinta, Dilma recebeu os governadores Luiz Fernando Pezão (PMDB-RJ) e Fernando Pimentel (PT-MG).

Alckmin comemorou em Brasília a ajuda federal, obtida nesta semana, para uma obra reforçará o sistema de abastecimento da Grande São Paulo. A obra, orçada em 830 milhões de reais, foi incluída no programa federal PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O ministro Mercadante lembrou, porém, que a obra só ficará pronta em 18 meses.