Treze países apontam o jihadismo como sua pior ameaça

Responsáveis pelo Interior da UE, dos EUA e do Canadá concordam em reforçar fronteiras Eles também decidem que vão combater a propaganda extremista na internet

Hollande, Merkel e Valls participam de ato em Paris.
Hollande, Merkel e Valls participam de ato em Paris.getty

Os atentados jihadistas de Paris provocaram uma reunião de responsáveis de segurança de 13 países, que se comprometeram a reforçar o controle das fronteiras e a combater a propaganda jihadista que circula na internet. Todas as partes concordaram em tentar desbloquear o projeto de compartilhamento de dados de passageiros aéreos, ao qual se opõe o Parlamento Europeu, e manifestaram a necessidade de aprofundar os controles sobre “determinados viajantes” nas fronteiras. “Os combatentes estrangeiros na Síria e no Iraque” são nossa prioridade em assuntos de segurança, disse o ministro francês do Interior, Bernard Cazeneuve. Os responsáveis pelas pastas do Interior e da Justiça da União Europeia se reunirão de maneira extraordinária na sexta-feira e se encontrarão de novo em uma reunião internacional em 18 de fevereiro em Washington, anunciou o secretário de Justiça dos Estados Unidos, Eric Holder.

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Cazeneuve foi o anfitrião do encontro de emergência que reuniu na manhã de domingo em Paris ministros de 11 países europeus, aos que se uniram o Canadá e os Estados Unidos, além de representantes da União Europeia. O ministro francês falou sobre a declaração conjunta que foi acertada. Em linhas gerais, explicou, trata-se de obter uma maior eficácia no rastreamento dos deslocamentos e do financiamento das redes jihadistas. Para isso, o controle fronteiriço e o intercâmbio de dados tanto entre as polícias como entre os serviços de inteligência são essenciais.

O ministro espanhol, Jorge Fernández Díaz, disse ao fim da reunião que “é preciso passar das palavras para os fatos”, em referência ao projeto sobre dados de passageiros aéreos. Assinalou ainda que o proselitismo na internet preocupa profundamente os ministros e é necessária uma “contranarrativa” para rebater as mensagens extremistas que circulam pela rede e são capazes de recrutar novos adeptos. “A colaboração das empresas de internet é fundamental”, disse Cazeneuve. A Bélgica se mostrou partidária de elaborar uma lista única europeia de combatentes jihadistas.

A reunião ocorreu em meio de um ambiente triste e emotivo. Cazeneuve agradeceu várias vezes as manifestações de solidariedade e amizade recebidas de seus colegas pela tragédia vivida em Paris. O fenômeno do jihadismo, disse ele, “afeta todas as democracias”.