BOA VIDA

Sete coisas que você não sabia sobre a ioga

Da filosofia aos benefícios, um mistério ronda essa disciplina que tem adeptos no mundo todo

Confesse: sua primeira aula de ioga foi planejada com capricho. Pode ser que, na noite anterior, tenha jantado frango ao curry, em homenagem ao honorável povo hindu (e talvez tenha se despedido das carnes, afinal, a pessoa não se torna vegetariana quando está há muito tempo praticando Ioga?). Para o vestuário, talvez tenha decidido estrear aquela calça hippie, larga e de cintura baixa, que guardava no armário à espera da ocasião. Por acaso, a ioga não tem tudo isso?

Diferentemente de outras práticas corporais – como pilates e aulas de aeróbica –, claras em sua proposta e objetivos, na Ioga a pessoa não sabe bem o que esperar. Da filosofia à parafernália, um exótico mistério rodeia essa disciplina milenar que conta com adeptos no mundo todo –. Por isso, é provável que depois dessa primeira aula você se pergunte: por que ninguém me disse que...?

1. Causa dores musculares. Embora seja ofertada pelas academias de ginástica, a ioga não é um esporte. No entanto, ai de você se não estiver em forma. Os novatos que acreditam que isto se trata de cruzar as pernas e dizer ‘om’, francamente, passarão mal todo o tempo. A ioga consiste em uma série de exercícios de estiramento ou equilíbrio (asanas, em sânscrito) que costumam revelar ao novato o quanto está enferrujado. Ou, ao contrário: pessoas que se consideravam rígidas descobrem com a ioga como são flexíveis. “Como exercício físico, é o melhor”, afirma o mestre Victor M. Flores (também conhecido como Senge Dorje), fundador do Instituto de Estudos da Ioga, com sede centram em Marbella. “Sua sobrevivência ao longo dos séculos demonstra sua eficácia. As dores musculares não passam de dores do crescimento.”

2. Não é necessária fantasia. Não, uma aula de ioga não é uma seleção de elenco para um filme de Bollywood, portanto, deixe as túnicas, calças tailandesas e saias cheias de dobras para o Carnaval. O principal em uma atividade tão física é estar confortável e não ter que se preocupar se a saia vai para a cabeça na postura do cachorro olhando para baixo. “O ideal é a lycra”, aconselha Flores. “É magnífica. Não é muito 'yóguica', mas, de fato, é muito prática.”

3. Não se pratica com música da Enya. Nem de Kenny G. Na realidade, os mestres desaconselham a ambientação musical durante a prática da ioga. “Em 44 anos nunca utilizei música de fundo”, diz Ramiro Calle, diretor do veterano centro de ioga Shadak (Madri) e escritor, recentemente premiado nos EUA pelo livro Yoga in the Jungle. “Basta a própria pessoa com seu corpo, sua respiração, sua mente...bastante dispersos e centrifugados nós já estamos! O silêncio tem de reinar, portanto, nessas ocasiões: um silêncio, interrompido por exalações e outros ruídos corporais resultantes do esforço, incluindo alguns que se pode evitar suprimindo alimentos pesados antes da aula.

4. É preciso esquecer do senso do ridículo. Sejamos claros: algumas posturas da ioga são... estranhas. É comum que os principiantes realizem seus primeiros gestos com certo pudor. Claro que entre a singularidade das posturas, o silêncio reinante e nossas caras com as camisetas batendo na altura do nariz, tampouco é de estranhar. “Quando o praticante tem essa sensação, a culpa sempre é do instrutor, que não o motiva ou não deixa claro a falta de importância de algo muito humano, que é a exposição à frustração. A ioga tem de adaptar-se ao corpo, e não o contrário”, ressalta Flores. O mestre Ramiro Calle explica: “As posturas são bastante naturais, pois são tiradas da natureza: animais, plantas... Cada um está focado em si mesmo. Não se trata de ganhar um campeonato”.

5. É cheio de mulheres. Se você é mulher, nova na atividade, e na estreia quer se sentir rodeada por outras mulheres, está de parabéns. A ioga atrai principalmente o público feminino porque “não é competitiva. O macho alfa aqui está fora do jogo”, diz Flores. Se você é um cavalheiro e também gosta de se sentir rodeado por senhoras, se encontrará no seu elemento. Sim, na ioga tudo são boas notícias!

6. Requer muita concentração. Quase tão difícil como manter as posturas é abstrair-se do inovador cenário – como o incenso, a eventual decoração simbólica, ou a chamativa roupa de alguns colegas – e conseguir se concentrar. Alguns dirão: deixar a mente em branco e concentrar-se muito em algo não é uma contradição? Na ioga, não: a ioga exercita a mente para guiá-la a esse ansiado estado de paz interior. “Não há ioga sem atenção”, diz Ramiro Calle. “Assim se treina também a mente e a libertamos de todo tipo de mal-estar.”

7. Cativa. Por último, outra das coisas que mais surpreendem de primeira é a rapidez com que a aula transcorre. Isso se deve à sua marcada estrutura. “Uma aula de ioga inclui exercícios de aquecimento, a sessão de posturas, a prática dos exercícios respiratórios e o relaxamento profundo. Se passa rápido, é muito agradável”, garante o mestre Calle. Em geral, agradecemos um pouco de disciplina em nossas vidas e muitos encontram na sala da ioga um senso de paz ao qual voltam a cada dia com mais vontade. “São cativados pela vivência que a ioga representa”, observa Victor M. Flores, “já que transcende o exercício para transformar-se em uma forma de vida”.