O trem com os cadáveres do avião parte para Carcóvia, zona controlada por Kiev

Os rebeldes dizem que o Governo ucraniano bombardeia Donetsk O Executivo nega ter enviado o Exército, mas confirma que há confrontos na cidade Obama insiste a Putin para que pressione os rebeldes a colaborarem

Inspetores da OSCE e legistas holandeses perto do trem onde estão os cadáveres. REUTERS-LIVE! (reuters_live)

O trem que leva os cadáveres das vítimas do acidente envolvendo um avião da Malaysia Airlines deixou a cidade de Torez, controlada por separatistas pró-russos, com destino a Carcóvia, controlada por Kiev. Ali já se encontra um grupo de 31 peritos de vários países, entre eles a Holanda e a Malásia, que se encarregarão dos trabalhos forenses e da repatriação dos corpos. Nesta segunda-feira, o vice-premiê ucraniano, Vladimir Groisman, havia informado que os cadáveres estavam em um vagão refrigerado, que sairia da estação em algumas horas.

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, afirmou nesta segunda-feira que os rebeldes pró-russos lhe garantiram que as duas caixas-pretas do avião serão entregues a uma equipe de especialistas malásios, e que uma equipe de investigadores internacionais terá garantia de "um acesso seguro" ao local onde o avião caiu, para que a investigação possa começar.

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O vice-primeiro-ministro ucraniano disse ainda que os trabalhos de resgate das vítimas foram considerados encerrados, após a localização de "282 corpos e 87 fragmentos que pertencem aos cadáveres de 16 das vítimas". "Todos os corpos foram levados para um trem, em vagões refrigerados, e esperamos que saiam para Carcóvia por volta de 19h [11h em Brasília]", afirmou o vice-premiê durante entrevista coletiva em Kiev para falar da queda do Boeing 777 malásio que levava 298 pessoas e foi abatido na quinta-feira sobre território ucraniano, numa zona em que os rebeldes separatistas pró-russos combatem o Exército da Ucrânia.

"Todos os corpos serão levados para a Holanda", acrescentou o político, encarregado de coordenar a investigação da tragédia. Das 298 vítimas que viajavam no avião, no trajeto Amsterdã-Kuala Lumpur, 193 eram holandesas.

O crescente horror dos holandeses pela morte dos compatriotas no voo MH17 foi refletido na prudência inicial do Governo de Haia, empenhado em ter "todos os dados sobre a mesa" antes de opinar sobre os supostos autores da matança. A prioridade neste momento é "repatriar os corpos", observou o primeiro-ministro, o liberal Mark Rutte, e para isso a Holanda enviou um grupo de legistas à região.

Paralelamente, o Ministério Público holandês anunciou na tarde de segunda-feira a abertura de uma investigação criminal sobre o fato. "Um funcionário do escritório do procurador, Thijs Berger, está em Kiev", afirmou o porta-voz Wim de Bruin à France Presse, sem detalhar qual será o papel desse funcionário na investigação da Procuradoria. Segundo a lei holandesa, a Holanda pode processar supostos criminosos de guerra, inclusive no caso de crimes cometidos no exterior, se uma ou mais vítimas for de nacionalidade holandesa.

A troca de acusações a respeito da autoria do ataque continuou nesta segunda-feira. O Ministério de Defesa russo assegurou que um caça ucraniano voava entre três e cinco quilômetros de distância do avião da Malaysia Airlines momentos antes de este ser atingido por um míssil. Segundo a versão russa, um avião norte-americano capaz de "detectar e seguir diferentes trajetórias de lançamentos de mísseis" também sobrevoava a região. "Se a parte norte-americana tiver fotografias desse satélite, seria muito gentil entregá-las à comunidade internacional para seu estudo", afirmou o general Andrei Kartapolov.

Enquanto isso, os confrontos continuam em Donetsk. Os separatistas pró-russos acusaram nesta segunda-feira o Exército da Ucrânia de bombardear os arredores da estação ferroviária. O Governo de Kiev nega ter enviado o Exército a essa cidade do leste da Ucrânia, controlada pelos rebeldes, embora tenha admitido que pequenos grupos pró-ucranianos se organizaram e estão lutando contra os rebeldes pró-russos na cidade.

Quatro pessoas morreram em confrontos perto da estação ferroviária e do aeroporto, na periferia de Donetsk, segundo fontes hospitalares locais.

Na primeira hora da manhã, ouviam-se fortes explosões na zona da estação. Os separatistas asseguram que o Exército ucraniano lançou uma ofensiva para penetrar na cidade. Tanques dos rebeldes pró-russos e dezenas de milicianos se dirigiram, segundo testemunhas, para a estação, e muita gente fugiu da área. A Prefeitura de Donetsk pediu aos moradores que não saiam às ruas. O oficial rebelde Sergei Kavtaradze disse que pelo menos quatro tanques ucranianos tentavam entrar na cidade.

Do lado ucraniano, um porta-voz do Exército afirmou que as operações militares para recuperar o controle da zona separatista estão em "uma fase ativa". As forças de segurança ucranianas rechaçaram, no entanto, qualquer responsabilidade sobre as explosões denunciadas pelos rebeldes e asseguraram ter "ordens estritas" de não bombardear Donetsk.