O aquecimento global deslocou 144 milhões de pessoas em cinco anos

O agravamento das secas, inundações, tormentas e incêndios obriga os afetados a emigrar

Na África oriental, 1,1 milhões de pessoas se deslocaram.
Na África oriental, 1,1 milhões de pessoas se deslocaram. (REUTERS)

Mais de 144 milhões de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas pelos efeitos da mudança climática entre 2008 e 2012, segundo o relatório sobre o assunto publicado pela Universidade das Nações Unidas e o Centro Norueguês para os Refugiados. O trabalho relacionou uma das consequências que os especialistas atribuem ao aquecimento (os exacerbados efeitos meteorológicos adversos, como inundações, tormentas e incêndios) com o deslocamento da população. E sobre isso, advertem os autores, ainda devemos somar outros efeitos não tão repentinos, como as secas prolongadas, que podem acrescentar milhares de afetados à estatística.

“O aumento da intensidade do clima extremo põe em risco o deslocamento. Muitos destes emigrados recebem algum tipo de ajuda, mas o auxílio é variável. Existe uma necessidade de proteção mais preditiva e de assistência. Devemos começar pelas regiões mais afetadas”, declarou Nina M. Birkeland, do Conselho Norueguês para Refugiados, ao site SINC.

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A atenção aos afetados é um dos inconvenientes. Muitos se deslocaram internamente, dentro do próprio país. Eles são os que têm mais dificuldade em receber ajuda, já que às vezes não têm sua situação reconhecida e, além disso, costumam ser habitantes de países pobres, adverte o estudo. Mas para os que emigram a outros países também não é fácil. As agências de ajuda internacional não consideram todos refugiados na mesma situação que os políticos —embora muitas vezes ambas as condições se sobreponham—, o que impede que eles possam participar de alguns programas. Pensando neles, em 2012 surgiu a chamada Iniciativa Nansen, uma tentativa para estabelecer sistemas internacionais de cooperação e ajuda, que ainda não foi acatada por muitos países.

O relatório das Nações Unidas indica essa iniciativa na hora de eleger um foco para o trabalho e usa o chifre da África como exemplo. Embora os especialistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) preveem um aumento das chuvas para esses países (Etiópia, Djibouti, Somália e Eritreia), mas isso não quer dizer que não tenha maiores secas. A explicação a esta aparente contradição é que pode haver períodos sem chuvas com outros, igual de negativos, com intensas precipitações. O resultado da situação atual é o deslocamento, só nesta região, de até 1,1 milhões de pessoas, que transladam os efeitos das catástrofes aos países vizinhos: Iêmen, Quênia, Uganda e Tanzânia.

Mas não são só os países pobres os afetados por estes problemas. Em 6 de maio o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, divulgou um relatório no qual relacionava acontecimentos como incêndios, inundações e secas com o aquecimento, o que foi interpretado como a primeira vez que a segunda economia do mundo (e a primeira em emissões per capita de gases de efeito estufa) poderia assumir a liderança da luta mundial contra o aquecimento.

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