Mais um operário morre nas obras do Mundial

Fabio Hamilton da Cruz caiu enquanto trabalhava nas arquibancadas provisórias da Arena Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo É a oitava morte de trabalhadores nas obras do Mundial

Arena Corinthians em obra no último 25 de março.
Arena Corinthians em obra no último 25 de março.Bosco Martín

O estádio que sediará o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014, em 12 de junho, foi o cenário da oitava morte de trabalhadores ocorrida nas obras feitas pelo Brasil em decorrência do Mundial.

O ajudante geral Fabio Hamilton da Cruz, 23, caiu de uma das estruturas da arquibancada provisória que está sendo montada na Arena Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo, na manhã deste sábado. Ele foi levado até o hospital Santa Marcelina, onde passou por uma cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante a tarde.

Segundo o Corpo de Bombeiros, a queda aconteceu de uma altura de 15 metros. A polícia afirma que foi de oito. O delegado responsável pelo caso afirmou à imprensa que ele pisou em uma tábua que cedeu, o que provocou sua queda no momento em que ele passava o mosquetão de segurança de uma estrutura para outra.

Só no estádio de abertura da Copa, conhecido popularmente como Itaquerão, essa é a terceira morte registrada. Em 27 de novembro, dois trabalhadores morreram após a queda de um guindaste, o que paralisou temporariamente as obras. Em dezembro, o Ministério do Trabalho afirmou que o condutor do guindaste que caiu trabalhava de forma consecutiva havia 18 dias, sem folga. Logo depois do acidente, um comunicado da Fifa afirmou que o comitê organizador local e o governo federal tinham como “prioridade máxima” a segurança dos trabalhadores.

Em 14 de dezembro, dois operários morreram em Manaus, capital do Estado do Amazonas (norte do país), em um intervalo de cinco horas. O primeiro deles, enquanto trabalhava de madrugada na Arena Amazonas, que receberá as partidas das seleções da Itália e da Inglaterra, ao cair de uma altura de 35 metros. Na manhã seguinte, outro trabalhador sofreu um infarto nas obras do entorno de um centro de convenções que fica ao lado do estádio. Outro operário já havia morrido na mesma arena em março do ano passado, ao despencar de uma altura de cinco metros.

Na capital federal, Brasília, outro operário já havia despencado em junho de 2012 de uma altura de 30 metros, no ponto mais alto do estádio Mané Garrincha.

O Brasil tem sido alvo de críticas pelo atraso com as obras e a 75 dias do início do Mundial teve que acelerar o ritmo. Dos 12 estádios que serão usados, cinco não estão com as obras totalmente completas. Todos consumiram mais dinheiro do que o previsto.