EUA dão as costas a Keiko Fujimori e qualificam as eleições do Peru como “justas” e “exemplares”

Administração de Joe Biden se distancia das denúncias de fraude apresentadas pela candidata de direita e pede que os resultados sejam aguardados “de acordo com a lei peruana”

Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em 15 de junho, em Washington.
Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em 15 de junho, em Washington.TOM BRENNER (AFP)

A Administração dos Estados Unidos impôs nesta terça-feira um revés à candidata Keiko Fujimori ao felicitar o Peru por ter realizado eleições que serviram como “um modelo de democracia na região”, ignorando deste modo as denúncias de irregularidades apresentadas pelo partido dela, o Força Popular, que tentou anular o pleito. Em nota, o porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ned Price, descreveu as eleições peruanas também como “livres, justas, acessíveis e pacíficas”, respaldando as autoridades para que levem o tempo necessário para “divulgar os resultados de acordo com a lei peruana”.

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O segundo turno da eleição presidencial do Peru, em 6 de junho, terminou com uma apertada vitória do candidato esquerdista Pedro Castillo, com apenas 40.000 votos de vantagem sobre Fujimori, segundo a apuração oficial. A candidata direitista diz que houve uma fraude de magnitude suficiente para alterar o resultado e pediu a anulação de até 200.000 cédulas das zonas mais pobres do país, justamente onde Castillo teve expressiva maioria. O processo de revisão da apuração já entrou na fase final e não cabem novos recursos, embora possa se prolongar por mais duas semanas.

O porta-voz Ned Price destaca no comunicado desta terça-feira, em nome do Governo dos Estados Unidos, a “profunda amizade entre os dois países” e expressa seu desejo de “continuar com esta colaboração” com o “candidato eleito devidamente pelo povo peruano, tal como confirmarem as autoridades eleitorais”. Os Estados Unidos, em suma, pretendem aderir ao que determinarem as autoridades.

Em uma entrevista ao EL PAÍS, a candidata peruana, de 46 anos, também disse que respeitará o veredicto do tribunal eleitoral. Keiko Fujimori, primogênita do ex-presidente Alberto Fujimori, disputou a eleição apesar de ser acusada de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no caso Odebrecht, suposto delitos pelos quais se encontra em liberdade vigiada. A Organização dos Estados Americanos (OEA), por sua vez, descartou que tenham ocorrido “graves irregularidades”.

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O tribunal eleitoral está analisando as impugnações apresentadas por Fujimori, um trâmite que deve levar cerca de 15 dias, até que o ganhador seja proclamado. Tudo parece indicar que será Pedro Castillo Terrones, um professor rural quase desconhecido até o começo deste ano, quando iniciou sua caminhada pelos povoados do Peru em busca de votos. Sua vitória, se confirmada, é uma autêntica surpresa. No segundo turno, quando Castillo e Fujimori ficaram cara a cara, a elite política e econômica apoiou abertamente à candidata direitista.

A espera é vivida com tensão. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou nesta terça sua preocupação com as denúncias de assédio a autoridades eleitorais e pessoas que participam da vida pública no Peru. Os seguidores de Fujimori se concentraram em frente às casas dos principais responsáveis pelo órgão eleitoral, enquanto os jornalistas que contam com rigor o processo eleitoral recebem insultos e ameaças. A Comissão pediu ao Estado que investigue e puna essas perseguições, ocorridas deste a data da votação.

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