Argentina decreta confinamento de nove dias para evitar colapso nos hospitais

O presidente Alberto Fernández paralisa as atividades não essenciais e restringe a circulação a partir das 18h para impedir a pior escalada de casos positivos de coronavírus

Profissionais de saúde marcham com tochas em Buenos Aires exigindo melhores condições de trabalho, no dia 12 de maio de 2021.
Profissionais de saúde marcham com tochas em Buenos Aires exigindo melhores condições de trabalho, no dia 12 de maio de 2021.Victor R.Caivano (AP)

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A Argentina voltou a fechar. O presidente Alberto Fernández decretou nesta quinta-feira a paralisação total das atividades não essenciais e o toque de recolher a partir das 18h para impedir a escalada de casos positivos de coronavírus. Os argentinos poderão se deslocar “apenas nas proximidades de seu domicílio”, o que na prática significa a proibição de usar o carro, e o comércio permanecerá fechado. Assim, todas as atividades sociais, econômicas, educacionais, religiosas e esportivas presenciais estão suspensas. A medida extrema foi a resposta à iminência do colapso do sistema sanitário, que opera em média com quase 80% de sua capacidade, embora já esteja saturado em algumas jurisdições.

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Os números negativos da pandemia dispararam na Argentina. O número de infectados cresceu 35% nas últimas duas semanas e se manteve acima dos 30.000 casos diários. Nesta quinta-feira as autoridades detectaram 35.884 novos positivos, um recorde desde o início da pandemia. O número total de vítimas de covid-19 na Argentina é 72.699, para uma população de 45 milhões.

O aumento dos casos colocou o sistema de saúde argentino sob tensão máxima, como nunca antes desde o início da pandemia, em março de 2020. No momento, são 5.951 pessoas em terapia intensiva, ocupando 72,6% dos leitos disponíveis. A porcentagem, porém, esconde que há cidades que já ultrapassaram sua capacidade.

“Estamos atravessando o pior momento desde o início da pandemia”, disse Alberto Fernández em uma mensagem gravada. “É importante que saibam que todos os dados científicos indicam que o problema é gravíssimo na Argentina. Temos um risco concreto de saturação do sistema de saúde”, alertou.

As novas restrições serão aplicadas a partir deste sábado até domingo, 30 de maio. Alberto Fernández conseguiu desta vez o apoio dos governadores, inclusive do chefe de Governo da cidade de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta. O líder da oposição cruzou semanas atrás em uma amarga disputa judicial com o Governo nacional porque se recusou a fechar escolas, conforme estabelecia o último decreto presidencial relativo à quarentena. Desta vez, Rodríguez Larreta cedeu à evidência dos números e decidiu seguir as medidas.

Fernández recordou o incidente com seu adversário político, embora sem citá-lo. “Há vários dias os casos começaram a aumentar, houve decisões que não compartilhamos que enfraqueceram as medidas contundentes que propusemos, algumas delas judicializadas. Lamentavelmente, como resultado de tudo isso, algumas mensagens geraram confusão, levando muitos a minimizar o problema. Essa confusão deve acabar”, disse.

Vacinação na Argentina

Segundo os últimos dados da campanha de vacinação na Argentina, 8,4 milhões de pessoas receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19, o equivalente a 18,4% da população. Com duas doses, a porcentagem de vacinados cai para 4,7%. Os frascos chegam todas as semanas, principalmente da Rússia e da China, países com os quais o Governo argentino fechou os principais acordos de fornecimento.

“Nos próximos dias teremos quatro milhões de doses, em mais algumas semanas teremos vacinado todas as pessoas em risco. O fundo russo está normalizando as entregas e esperamos mais um milhão” de doses da Sptunik V, disse Fernández. A Argentina foi o primeiro país da América Latina a aprovar o uso da vacina russa.

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O presidente também confirmou a chegada das vacinas da AstraZeneca que acordou com o México, após um projeto de fabricação conjunta financiado pela Fundação Carlos Slim. O acordo previa a produção do princípio ativo em dezenas de milhões de doses na Argentina e seu embarque para o México para embalagem, mas a falta de suprimentos transtornou os planos iniciais de entrega. “Falei com meu querido amigo Andrés Manuel López Obrador e ele confirmou o pronto envio das vacinas que produzimos com a AstraZeneca”, disse Alberto Fernández na quinta-feira. A Argentina também espera a chegada das vacinas chinesas da Sinopharm.

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