Crise migratoria

Biden envia delegação ao México para definir estratégia contra primeira crise migratória do seu mandato

Equipe encabeçada pela ex-embaixadora Roberta Jacobson discutirá com o chanceler Marcelo Ebrard um plano de cooperação na América Central

Roberta Jacobson, ex-embaixadora dos EUA no México, em uma foto de arquivo.
Roberta Jacobson, ex-embaixadora dos EUA no México, em uma foto de arquivo.Rebecca Blackwell / AP

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O Governo de Joe Biden busca a colaboração do México para enfrentar a sua primeira crise migratória, provocada por um crescente afluxo de cidadãos centro-americanos. O presidente norte-americano enviou uma delegação ao país vizinho para definir uma estratégia comum e um plano de cooperação regional, enquanto milhares de guatemaltecos, hondurenhos e salvadorenhos se encontram retidos nas fronteiras sul e norte do México. Essa delegação, encabeçada pela ex-embaixadora Roberta Jacobson, chegou nesta segunda-feira à Cidade do México e deve se reunir na terça com o chanceler Marcelo Ebrard e com outros funcionários da Secretaria (ministério) de Relações Exteriores. Depois, uma parte da missão se deslocará para a Guatemala.

Segundo a Casa Branca, o objetivo da viagem, que ocorre logo depois de Biden anunciar sua intenção de visitar a fronteira com o México, consiste em “colaborar com funcionários do Governo mexicano para lançar um plano de ação eficaz e humano na gestão da migração”. Jacobson, uma veterana diplomata que foi a principal representante de Washington no México entre 2016 e 2018 ―quando renunciou por desacordos com Donald Trump―, estará acompanhada de Juan González, homem forte de Biden para a América Latina, e Ricardo Zúñiga, recém-nomeado enviado especial do Departamento de Estado para o Triângulo Norte. A delegação norte-americana quer ouvir também representantes da sociedade civil e de ONGs “para abordar as causas primárias da migração na região e construir um futuro mais esperançoso”.

Isso se traduziu, por enquanto, em um compromisso da nova Administração norte-americana de destinar quatro bilhões de dólares (22 bilhões de reais) à América Central. Essa quantia, anunciada em janeiro, é um ponto de partida para uma tarefa titânica que inclui, por exemplo, a reconstrução de um país devastado pelos furacões Iota e Eta, como é o caso de Honduras, onde essas catástrofes contribuíram para a formação da mais recente caravana migratória.

Neste momento, as relações bilaterais entre o México e os Estados Unidos giram em torno da migração e da distribuição das vacinas contra a covid-19. A chegada de Biden à Casa Branca e as promessas de uma guinada em suas políticas estimulou o surgimento de uma nova leva de migrantes no fim de janeiro. A primeira caravana de hondurenhos se deparou primeiro com a repressão das forças de segurança guatemaltecas, e depois com a fronteira mexicana. Quem consegue cruzar e chegar até o rio Bravo, na fronteira com os EUA, enfrenta a ameaça de ser devolvido para o sul, apesar de Trump não estar mais no poder. Diferentemente do seu antecessor, Biden suavizou algumas fórmulas para permitir a entrada, por motivos humanitários por exemplo, mas tanto o presidente como sua Administração não deixaram de lançar mensagens dissuasórias– além de dar sinais concretos nesse sentido, como as expulsões.

O aumento do fluxo tem sido vertiginoso nos últimos meses. Em fevereiro, mais de 100.000 migrantes foram retidos ou detidos. Estes números recordam a crise vivida em meados de 2019, quando o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, se rendeu às exigências de Trump para frear a chegada de centro-americanos aos Estados Unidos, sob pena de enfrentar retaliações tarifárias de Washington. Na última sexta-feira, o Governo mexicano mobilizou novas operações na fronteira sul “para proteger os direitos e a integridade de migrantes menores de idade de diferentes nações centro-americanas, usados por redes criminais como salvo-conduto de trânsito para chegar ao norte do país”. A Secretaria de Governo (Casa Civil) informou também sobre restrições de acesso “nos passos terrestres aos visitantes com atividades não essenciais”, por causa da emergência sanitária da covid-19. Desde o começo do ano, as autoridades mexicanas identificaram quase 4.200 menores, acompanhados ou não, “que viajavam de maneira irregular em território mexicano e são alvo de traficantes de pessoas que lucram com a migração irregular”.

Sob estas premissas, os Governos do México e dos Estados Unidos informaram que se propõem a fortalecer a cooperação em matéria migratória, semanas depois de López Obrador e Biden tratarem desse desafio em uma reunião privada. “Amanhã [terça-feira] receberemos na Secretaria de Relações Exteriores a visita de uma delegação de alto nível dos Estados Unidos. Estaremos acompanhados de Roberta Jacobson, enviada especial presidencial para a Fronteira, Ricardo Zúñiga, enviado especial presidencial para o Triângulo Norte da América Central, e Juan González, diretor do Conselho Nacional de Segurança para o Hemisfério Ocidental. Também participarão representantes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal)”, antecipou Roberto Velasco Álvarez, chefe da diplomacia mexicana para a América do Norte, em suas contas das redes sociais. O funcionário acrescentou que “o principal tema a tratar será a cooperação para o desenvolvimento na América Central e o sul do México, além dos esforços conjuntos para uma migração segura, ordenada e regular”.

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