Nigéria busca mais de 300 alunas levadas em novo sequestro em massa

Invasão de escola feminina de Zamfara é o segundo incidente com estudantes em uma semana, depois que 42 pessoas foram retiradas à força de um colégio no Estado de Níger

Escola de Kagara onde foram sequestradas 42 pessoas em 17 de fevereiro, no Estado nigeriano de Níger.
Escola de Kagara onde foram sequestradas 42 pessoas em 17 de fevereiro, no Estado nigeriano de Níger.STR (EFE)
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Homens armados invadiram na madrugada de sexta-feira os dormitórios de uma escola feminina do Estado de Zamfara, no noroeste da Nigéria, e sequestraram 317 jovens estudantes, confirmou a polícia estadual em um comunicado. “A polícia do Estado de Zamfara, em colaboração com os militares, iniciou uma busca conjunta e uma operação com o objetivo de resgatar as 317 estudantes sequestradas por bandidos armados na Escola Feminina Secundária Governamental de Ciências de Jangebe”, diz o comunicado.

O comissário de Segurança e Assuntos Internos de Zamfara, Alhaji Abubakar Dauran, confirmou os fatos à Agência de Notícias da Nigéria (NAN). “Depois que a maioria das estudantes foi levada, reunimos as que escaparam ou se esconderam dos bandidos e fizemos um censo, contamos 54. Ainda estamos procurando as demais.” Havia 400 estudantes na escola no momento do sequestro. O professor Sadi Kawaye disse inicialmente à Agência France Presse que havia mais de 300 meninas desaparecidas.

O ataque ocorreu por volta da uma hora da madrugada na localidade de Jangebe. Vários moradores relataram à mídia local que os invasores chegaram fortemente armados a bordo de motos e picapes e obrigaram as meninas a subir nos veículos. Um professor disse ao jornal The Punch que eles usavam uniforme de guardas de segurança, o que causou confusão. A polícia suspeita que as jovens foram levadas para uma floresta perto de Jangebe, afirmou o comissário estadual Abutu Yaro em entrevista coletiva.

Durante o dia, moradores locais jogaram pedras contra o comboio em que estava o comissário Abubakar Dauran, em protesto contra a falta de segurança, assinalou o jornalista Umar Shehu, que viajava na comitiva. Parentes das garotas sequestradas também mostraram seu descontentamento quebrando portas e janelas da escola, informou a agência France Presse.

Este é o segundo sequestro em massa de estudantes na Nigéria em pouco mais de uma semana, depois do ocorrido no dia 17 na localidade de Kagara, no Estado de Níger, no centro-oeste do país. Naquela ocasião, homens armados levaram 42 pessoas, entre elas 27 alunos do sexo masculino, 3 professores e 12 parentes destes. Ainda estão todos nas mãos de seus captores. Em dezembro, 344 estudantes foram sequestrados em Kankara, no Estado de Katsina, mas nesse caso todos foram libertados dias depois, após uma negociação, ainda não esclarecida, entre os sequestradores e o Governo.

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A situação de insegurança nas escolas do norte e oeste da Nigéria e os sucessivos sequestros em massa levaram a Senado a levantar a possibilidade de ser declarado estado de emergência no país. A violência perpetrada por gangues armadas dedicadas a roubos e sequestros provocou, só no ano passado, a morte de mais de 1.000 pessoas, segundo a Anistia Internacional.

No nordeste da Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram reivindicou a autoria do ataque com granadas de terça-feira na cidade de Maiduguri, que deixou pelo menos 10 mortos e 60 feridos, entre eles crianças que jogavam bola em um terreno. “Nossos irmãos atacaram Maiduguri”, afirmou Abubakar Shekau, líder do Boko Haram, em um vídeo divulgado na quinta-feira pelo grupo jihadista. “Estamos contentes, foram nossos homens que realizaram esse ataque”, acrescentou.

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