Eleições no Equador

Boca de urna indica segundo turno nas eleições presidenciais do Equador

Pesquisas apontam liderança do candidato do ex-presidente Correa, Andrés Arauz, enquanto o conservador Guillermo Lasso e o dirigente indígena Yaku Pérez disputam segundo lugar

Uma mulher vota na localidade equatoriana de Cuenca neste domingo, 7 de fevereiro.
Uma mulher vota na localidade equatoriana de Cuenca neste domingo, 7 de fevereiro.CRISTINA VEGA RHOR / AFP

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As pesquisas de boca de urna indicam que haverá segundo turno na eleição presidencial do Equador. No fechamento dos colégios eleitorais neste domingo, tudo indicava que Andrés Arauz, candidato da esquerda apoiado pelo ex-presidente Rafael Correa, terá um lugar garantido no desempate previsto para abril. Seu principal adversário, o conservador Guillermo Lasso, disputa o segundo lugar com o dirigente indígena Yaku Pérez.

A pesquisa da empresa Cedatos confere, até o momento, 34,94% dos votos para Arauz, 20,99% para Lasso e 17,99% para Pérez. Os dados do Clima Social, outro instituto autorizado pela autoridade eleitoral, dão maior vantagem para o candidato do correísmo (36,2%), enquanto Lasso teria 21,7% e o representante do movimento indígena, 16,7%. Para evitar o segundo turno, o vencedor deve superar os 50% dos votos ou obter mais de 40% e ganhar com uma margem de pelo menos 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado.

Às 20h (18h em Brasília), o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) ofereceu os primeiros resultados como uma amostra que serve para projetar as tendências da apuração dos votos. Mais de 13 milhões de equatorianos foram convocados às urnas para decidir o sucessor do presidente, Lenín Moreno. As eleições, no entanto, têm um matiz mais relacionado com o passado que com o futuro. Significam uma decisão de fundo sobre o capítulo da história do país andino aberto pelo ex-mandatário Rafael Correa. O resultado determinará a vontade de recuperar o legado de um Governo que ele manteve durante 10 anos, com autoridade e um controle fluído dos recursos públicos, ou a de virar a página.

A principal alternativa ao candidato apoiado por Correa, Andrés Arauz, é uma opção liberal no campo econômico, representada por Guillermo Lasso. O veterano político conservador prometeu apostar no setor privado para dinamizar o deteriorado mercado de trabalho. Mas o ex-presidente não colocou em jogo somente seu retorno político. Seu futuro pessoal e sua situação judicial dependem de uma vitória ou, pelo menos, da realização do segundo turno, previsto para abril, o cenário mais provável segundo todas as pesquisas.

O medo do contágio do coronavírus e a indecisão já anunciavam uma baixa participação dos eleitores —o que não se confirmou quando os colégios eleitorais foram abertos. “É surpreendente o interesse e o patriotismo dos cidadãos nestas eleições”, reconheceu durante a manhã Enrique Pita, membro do CNE, enquanto a TV mostrava imagens de longas filas em cada local de votação. Faltando uma hora para o fechamento das urnas, o CNE confirmou que, até às 16h45 (ou seja, 25 minutos antes do encerramento), 76% dos eleitores haviam depositado seu voto. “Com essa tendência, temos certeza de que a jornada eleitoral terminará com êxito”, afirmou a presidenta do CNE, Diana Atamaint.

Correa, fundador da chamada Revolução Cidadã, aguarda desde setembro do ano passado uma condenação de oito anos de prisão que o impede de regressar ao país. Como reside na Bélgica desde 2017 e nunca compareceu perante a Justiça equatoriana, o ex-mandatário não foi preso, mas a pena ainda deve ser cumprida. “Não será necessário aplicar o indulto porque os próprios juízes revisarão as decisões judiciais quando já não tiverem as pressões, as ameaças, as chantagens deste Governo”, afirmou o candidato Arauz no início do ano, em entrevista ao jornal El Universo. Arauz também deu por certo que, se assumir a presidência do Equador, Correa será um de seus principais assessores.

Segundo as pesquisas prévias às eleições, o capital político que o ex-presidente ainda conserva posicionou Arauz como um dos dois candidatos com mais intenções de voto, ao lado de Guillermo Lasso, líder conservador do movimento CREO. Mas se a aliança União Pela Esperança —nova formação que agrupa o correísmo— não receber o apoio da maioria dos eleitores, seu líder terá que aguardar outros quatro anos para tentar reverter esses dois aspectos fundamentais. Não poderá entrar no território equatoriano sem correr o risco de ser preso, nem poderá “recuperar a pátria” (lema da candidatura de Arauz) da traição de Lenín Moreno.

O atual presidente do Equador também foi escolhido e apoiado por Correa para sucedê-lo nas eleições de 2017. Após assumir o poder, contudo, distanciou-se rapidamente dos postulados com os quais seu antecessor havia governado durante uma década. Segundo justificou Correa, foi isso que o motivou a tentar voltar à primeira linha da política nestas eleições. Embora a lei impeça que um indivíduo com sentença executória seja candidato numa eleição, como é o caso do ex-mandatário, a aliança UNES tentou inscrevê-lo para a vice-presidência. Rechaçada a candidatura, Correa foi substituído na cédula e seu legado ficou nas mãos de Arauz.

O jovem político, que acaba de fazer 36 anos, lidera as pesquisas mas não possui vantagem suficiente para evitar o segundo turno. A previsão é que ele e Lasso se enfrentem em abril. Uma vitória do conservador distanciaria o Equador definitivamente da herança correísta. O empresário, que tenta pela terceira vez chegar à presidência, apresentou-se como a opção de mudança em todas as suas campanhas e criticou fortemente a corrupção e a má gestão dos recursos públicos da administração de Correa.

No entanto, embora Lasso e Arauz pareçam ter as maiores chances, a proliferação de candidatos a presidente neste pleito poderia fragmentar os votos e favorecer outras iniciativas, como a do representante indígena Yaku Pérez e a do líder da Esquerda Democrática, Xavier Hervas, que soube conquistar um espaço em sua estreia na política. Os indecisos e o voto nulo foram a terceira opção preferida nas intenções de voto durante toda a campanha. Mas neste domingo, finalmente, os mais de 13 milhões de equatorianos que têm a obrigação de votar, sob pena de multa, se pronunciam nas urnas.

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